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Ansiedade climática é baixa em Portugal, mas motiva comportamentos sustentáveis

Estudo com 3300 participantes revela que a preocupação com o clima existe, embora os dados mostrem que raramente afeta o dia a dia dos inquiridos. Ainda assim, pode impulsionar ações ambientais.

13:08
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A ansiedade climática entre adultos em Portugal é, em geral, reduzida, mas isso não significa desinteresse face às alterações climáticas, pelo contrário. Um estudo da Universidade de Aveiro conclui que, embora os níveis médios deste tipo de ansiedade sejam baixos, a perceção do problema continua a influenciar comportamentos pró-ambientais.

A investigação, que envolveu 3300 participantes, procurou perceber de que forma a consciência sobre as alterações climáticas afeta a saúde mental e as atitudes dos portugueses. “No geral, a prevalência desse tipo de ansiedade entre adultos em Portugal é relativamente baixa”, explica a investigadora Mariana Pinho, autora do estudo.

A ansiedade climática é definida como “uma preocupação crónica com os impactos das alterações climáticas, com o futuro do planeta, de si próprio e das gerações futuras”. No entanto, segundo a académica, essa preocupação raramente se traduz em efeitos significativos no quotidiano. “Isso não significa que os portugueses não acreditem ou não se preocupem com as alterações climáticas, mas que no geral estas não têm um impacto ao nível do funcionamento cognitivo – como perda de sono ou dificuldades de concentração – nem interferem significativamente com a rotina diária”, acrescenta.

Ainda assim, o estudo sublinha que a ausência de ansiedade clínica não equivale a falta de consciência ambiental. “O facto da ansiedade climática se revelar baixa não implica desinteresse ou falta de consciência ambiental”, refere Mariana Pinho. A maioria dos inquiridos reconhece a origem humana das alterações climáticas, os seus impactos e mantém “uma forte ligação psicológica à natureza”.

Os resultados revelam também diferenças relevantes entre grupos, e mostra que fatores como a idade, o nível de escolaridade e o rendimento estão associados a níveis mais baixos de ansiedade climática, enquanto experiências diretas com fenómenos climáticos extremos tendem a aumentá-la.

“De forma geral, níveis mais elevados de preocupação/ansiedade climática tendem a estar associados com a maior adoção de comportamentos pró-ambientais”, afirma a investigadora. Ou seja, a forma como as pessoas percecionam o problema pode traduzir-se em ações concretas no sentido da conservação ambiental.

Para os investigadores, estes dados ajudam a compreender os mecanismos psicológicos que podem ajudar a motivar práticas mais sustentáveis e reforçam a importância de integrar fatores emocionais nas políticas públicas.

“As alterações climáticas estão a afetar não só o ambiente, mas também a nossa saúde física e mental. A ansiedade e o stress associados a estes fenómenos são reais e não devem ser ignorados”, alerta Mariana Pinho, sublinhando que quem sentir efeitos no bem-estar deve procurar ajuda. “É igualmente essencial que os profissionais de saúde –não só os psicólogos – saibam identificar e encaminhar situações de stress climático”.

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