Mais de 10 milhões de pessoas beneficiaram, desde 2020, de iniciativas de melhoria de competências no âmbito do Pacto para as Competências, uma das apostas da Comissão Europeia para aproximar a formação das necessidades do mercado de trabalho. Só em 2025, foram 3,9 milhões, segundo o inquérito anual agora divulgado por Bruxelas, que aponta para um esforço crescente de empresas, entidades formadoras e autoridades públicas para responder às necessidades da dupla transição ecológica e digital.
Lançado em novembro de 2020, o programa funciona como uma plataforma de cooperação entre a indústria, os parceiros sociais, prestadores de ensino e formação, autoridades regionais e locais e serviços de emprego. Ao todo, a iniciativa mobilizou uma rede de cerca de quatro mil organizações, que, em conjunto, investiram mais de mil milhões de euros no reforço das competências em toda a União Europeia (UE).
Segundo o comunicado da Comissão, “85% das empresas e dos trabalhadores inquiridos apreciam os benefícios e impactos”, e destaca-se o acesso a informação sobre competências e as oportunidades de criação de redes. O mesmo documento mostra que os participantes continuaram a reforçar a oferta de formação de qualidade e a melhorar o acesso à aprendizagem, com especial prioridade para as competências digitais, ecológicas e setoriais, precisamente onde a pressão do mercado de trabalho é mais visível.
Mais de 277.600 organizações aderiram a redes de competências e foram desenvolvidos ou atualizados cerca de 46.500 programas de formação, que incluem cursos curtos e percursos mais longos. O objetivo é reduzir o desfasamento entre a oferta e a procura de competências e contribuir para a meta europeia de que 60% dos adultos participem todos os anos em ações de formação até 2030.
O inquérito destaca ainda o papel das parcerias regionais e mostra que 93% destas iniciativas demonstraram uma melhoria no alinhamento entre a oferta e a procura de competências a nível regional, enquanto 86% facilitaram a transição para uma economia mais verde e digital.
“A requalificação dos trabalhadores não só ajuda as pessoas a obter empregos de qualidade, como também dá aos empregadores acesso a talentos qualificados”, aponta Roxana Mînzatu, vice-presidente executiva da Comissão responsável pelos Direitos Sociais, Competências, Emprego de Qualidade e Preparação. “Num momento de grave escassez de mão de obra, esta situação é mais urgente do que nunca”, sublinha.
As organizações envolvidas neste programa assumiram o compromisso de melhorar as competências e requalificar 25 milhões de pessoas até 2030, mas a Comissão quer agora duplicar esse objetivo, integrando-o na chamada União de Competências, a estratégia comunitária para reforçar a competitividade europeia através da formação e da qualificação da mão de obra.