Apostas na queda das grandes tecnológicas disparam mais de 40%

As FAANG - Facebook, Apple, Amazon, Netflix e Google - já contam 37 mil milhões de dólares em posições curtas (que beneficiam com a quedas). E não são as únicas tecnológicas "carregadas" destas apostas: a Alibaba, sozinha, soma 18 mil milhões.
Reuters
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Ana Batalha Oliveira 29 de agosto de 2018 às 20:31

Numa altura em que as tecnológicas seguem ao leme dos ganhos em Wall Street, as apostas na queda destas empresas avançam também a velocidade cruzeiro. As posições curtas em relação às FAANG – o acrónimo para o grupo das gigantes Facebook, Apple, Amazon, Netflix e Google – já vão nos 37 mil milhões de dólares, um aumento de 42% comparativamente ao ano passado. Tesla, Ping an Insurance e Alibaba superam contudo o número de short-sellings de qualquer uma das FAANG, com a chinesa a bater todos os recordes.  


Entre as FAANG, a Amazon é aquela que reúne mais destas apostas contrárias, somando 10 mil milhões em vendas a descoberto, segundo os dados da S3 Partners LLC, analisados pela Bloomberg. É seguida de perto pela Apple e a lista prossegue com a Alphabet, Netflix e apenas uma "intrusa" antes do Facebook, a Microsoft.

Fora deste grupo, só a chinesa Alibaba reúne mais de 18 mil milhões em short-sellings. Em segundo lugar fica a Ping An Insurance e finalmente a Tesla, que tem estado debaixo de fogo após a controvérsia lançada pelo CEO, Elon Musk, que anunciou intenções de retirar a empresa de bolsa.

"Quanto maior a subida, maior a queda", comentou a S3 Partners, apontando para as grandes subidas nos preços das cotadas tecnológicas, num ano em que todas atingiram máximos históricos. Precisamente, a mais "shortada" das FAANG, a Amazon, já valorizou 70,5% desde o início do ano, registo somente ultrapassado pela congénere Netflix, cujas cotações subiram 91,85% desde Janeiro.

Já o serviço de streaming mantém-se entre os melhores desempenhos em Wall Street, mesmo após algum desapontamento com os resultados apresentados no segundo trimestre, que falharam as expectativas.

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A casa-mãe da Google, a Alphabet, também se posiciona solidamente no verde, com uma valorização de 19,77% este ano. Os investidores estão agora atentos à tentativa da Google voltar à China, depois de ter saído deste mercado acusando pressões em termos de censura.

A destoar destas subidas acumuladas estão o Facebook e a Apple, cujo balanço desde o arranque de 2018 mostra quebras ligeiras – de 0,83% e 0,93%, respectivamente.

A rede social de Mark Zuckerberg tem enfrentado quedas significativas, numa altura em que se levantam questões e multiplicam controvérsias em torno da privacidade dos dados dos utilizadores. Mas o grande tombo deu-se mais recentemente, no final de Julho, quando o Facebook projectou que as vendas manteriam uma trajectória descendente até ao final do ano. Na sessão de 26 de Julho, as acções desvalorizaram 20,11% para os 173 dólares, a maior descida desde a entrada em bolsa.

Já a Apple só parece ter motivos para festejar. A cotada renovou, ainda durante a sessão desta quarta-feira, um máximo histórico, atingindo os 222,29 dólares após uma subida de 1,18%. Mas a maior medalha da gigante da maçã em bolsa foi-lhe entregue no início do mês: tornou-se a primeira cotada de Wall Street a ultrapassar o bilião em valor de mercado, recebendo o título de "trillion-dollar baby" que disputava com a Amazon até então. Ao nível operacional, a empresa defraudou as expectativas em termos de vendas, apesar dos preços terem surpreendido os analistas pela positiva. A procura decrescente por smartphones é um dos grandes desafios a serem enfrentados por esta gigante.

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A evolução das cotadas do sector da tecnologia tem contribuído para o desempenho do principal índice norte-americano, o generalista S&P 500, que fechou o mais longo bull market da sua existência. Isto é, há nove anos que não assiste a uma correcção igual ou superior a 20%. Já o Nasdaq, o índice tecnológico de referência em Nova Iorque, valorizou 17,33% desde o início do ano.

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