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Juros dos periféricos lideram quedas na Europa. Yield de Portugal desce para mínimos de três meses

Os juros da dívida portuguesa - que a dez anos tocaram mínimos de Dezembro - lideram as descidas na Europa, motivadas pelos comentários do economista-chefe do BCE e pelos dados da inflação de Fevereiro.

Bandeira Portugal
Bandeira Portugal
16 de Março de 2018 às 13:37

Os juros da dívida dos países europeus do sul – os chamados "periféricos" – estão a liderar um movimento de alívio na Zona Euro, depois de ter sido divulgado que a inflação na região desceu mais do que o esperado, em Fevereiro, e de mais um membro do BCE ter admitido que o crescimento dos preços a um ritmo sustentado poderá tardar.

 

Em Portugal, a ‘yield’ associada às obrigações a dez anos cai 3,3 pontos para 1,765%, depois de ter chegado a recuar para 1,740%, o nível mais baixo desde meados de Dezembro do ano passado.    

 

Também o risco associado à dívida nacional – medido pelo spread face à dívida alemã – marca um novo mínimo de Abril de 2010, dado que a descida da yield das bunds germânicas é inferior à de Portugal (os juros associados à dívida da Alemanha a dez anos recuam apenas 0,2 pontos para 0,575%).

 

Portugal encabeça as descidas juntamente com Espanha, onde a ‘yield’ no prazo de referência cai 2,3 pontos para 1,359%.

 

Os títulos dos países periféricos estão entre os maiores beneficiários do programa de estímulos do BCE e qualquer sinal de que a autoridade monetária possa tornar-se mais cautelosa na saída desse programa ou no aumento dos juros tende a beneficiar estes mercados.

 

Em entrevista à Reuters, o economista-chefe do BCE, Peter Praet, afirmou que o bloco monetário pode ter mais capacidade por explorar, particularmente no mercado de trabalho, o que significa que a inflação pode demorar mais a regressar ao objectivo do BCE em torno de 2%.

 

"É óbvio que estão a dirigir-se para o fim do ‘quantitative easing’ mas a discussão sobre o fim das compras em Setembro está a tornar-se menos provável", aponta Marchel Alexandrovich, economista da Jefferies, citado pela agência noticiosa. "Os membros do BCE estão a começar a usar o termo gradualismo – a ideia de que, numa altura de incerteza, a coisa certa a fazer é movimentar-se lentamente no que respeita à política monetária".

 

A entrevista de Praet à Reuters foi divulgada no mesmo dia em que o Eurostat revelou que a inflação na Zona Euro recuou mais do que era esperado em Fevereiro. O crescimento dos preços foi de 1,1% no mês passado, e não de 1,2% como havia sido avançado na primeira leitura.

 

São dados que confirmam os desafios enfrentados pelo BCE para lançar uma subida sustentada dos preços na região, e que, a persistirem, poderão forçar alterações nos planos da autoridade monetária para terminar o seu programa de compra de activos este ano e começar a subir os juros depois.

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