Uma referência para a moda vintage
Tem sido defendido, neste espaço, quase até à exaustão ou no limite da paciência do generoso leitor a necessidade de o investimento em bens culturais necessitar de uma boa dose de conhecimento e de informação. Esta teoria, tão frágil como qualquer outra, poderá parecer, à primeira vista, pouco intuitiva, mas tem alguma razão de ser. Em relação ao aspecto intuitivo, assim é realmente, porque a aquisição dos bens culturais, dos relógios à arte, passando pelos automóveis clássicos ou pela cerâmica, é normalmente determinada pelos insondáveis motivos emocionais. Nada contra, claro, a não ser um ou dois pormenores de relevo. Primeiro: se a emoção domina totalmente, podemos adquirir um bem sem qualquer tipo de valor. Segundo: a emoção é instável e talvez seja importante saber se um bem adquirido hoje poderá manter o seu valor no tempo e até valorizar no futuro.
No entanto, no campo dos bens culturais, a informação de qualidade é relativamente difícil de obter. Antes de tudo o resto, os peritos gostam de guardar a informação para si, porque querem garantir, deste modo, a consultadoria e a possibilidade de aquisição das melhores peças. Depois, alguns dos principais temas neste território são de investimento muito recente, o que dificulta o estabelecimento estável de valor, e ainda mais a informação sobre este.
PUB
Assim, para algumas classes de bens, a aquisição de conhecimento estabilizado é um processo em construção. Um dos temas onde mais se sente esta precariedade, exactamente pelas razões citadas, é no do investimento em moda vintage, o que faz com que todas as tentativas sérias de partilha de informação devam ser saudadas.
É o que se passa com o livro de referência de Nicky Albrechtsen, 432 páginas editadas pela Thames & Hudson, com o ambicioso título "Vintage Fashion Complete". A referência é uma daquelas raras vezes em que o título corresponde sem falha ao conteúdo, já que Albrechtsen se preocupa em mapear, de forma exaustiva, o valor neste tema, onde, claro, todas as emoções, desde a vontade de ter o vestido usado pela actriz de cinema X aos primeiros sapatos do designer Y, se manifestam de forma avassaladora.
Cerebral, a autora divide o tomo em três felizes secções, Decades, Elements e Hallmark.
PUB
A primeira é um roteiro exaustivo da moda, cobrindo as décadas que vão de 1920 a 1980. A segunda preocupa-se com os bens individualmente, dos sapatos às diversas tipologias de vestidos. A terceira versa sobre as peças que se tornaram icónicas. O que resulta numa identificação textual e imagética de mais de mil peças e é, precisamente, um roteiro total do mais importante valor no tema. Ou seja, um guia para ter sempre à mão.
*Nota ao leitor: Os bens culturais, também classificados como bens de paixão, deixaram de ser um investimento de elite, e a designação inclui hoje uma panóplia gigantesca de temas, que vão dos mais tradicionais, como a arte ou os automóveis clássicos, a outros totalmente contemporâneos, como são os têxteis, o mobiliário de design ou a moda. Ao mesmo tempo, os bens culturais são activos acessíveis e disputados em mercados globais extremamente competitivos. Semanalmente, o Negócios irá revelar algumas das histórias fascinantes relacionadas com estes mercados, partilhando assim, de forma independente, a informação mais preciosa.
PUB
Saber mais sobre...
Saber mais Vintage arte investimento design moda Nicky Albrechtsen Thames & HudsonMais lidas
O Negócios recomenda