A minha economia: Gonçalo Amorim
Quando as luzes se apagam e outras se acendem sobre o palco, o mundo pode começar de novo.
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Quando as luzes se apagam e outras se acendem sobre o palco, o mundo pode começar de novo. Às vezes, é preciso destruir para recomeçar e é em chamas que acaba "O Dia do Santo", de John Whiting, peça do pós-guerra britânico, representada pela primeira vez em Portugal. Em cena até dia 10, no Auditório Municipal de Vila Nova de Gaia, é a mais recente encenação do Teatro Experimental do Porto (TEP) e de Gonçalo Amorim. O actor e encenador andava à procura de uma peça que mostrasse até onde pode chegar o capitalismo. Uma peça onde também se percebesse que ainda que tudo esteja em chamas, o teatro pode ajudar-nos a sair dos escombros. Gonçalo Amorim nasceu depois do 25 de Abril, cresceu idealista nas tardes de "viva, viva!", a descer a Avenida dos Aliados e, já adulto, recusou sempre aceitar que a história tinha acabado e que podíamos aspirar apenas ao sucesso. Agora tem um filho pequeno. Gostava de ter ideologias para lhe dar. Gostava de saber dizer-lhe que caminho tomaremos. Gostava de, pelo menos no palco, construir já alternativas para ele.