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Nicolas Baretzki: o senhor Montblanc

Há um novo nome à frente da Montblanc. E tem uma estratégia bem definida para a marca, que pretende continuar a ser uma referência forte no mercado de luxo para homens.

Fernando Sobral fsobral@negocios.pt 10 de Fevereiro de 2018 às 12:00
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Nomeado para gerir a Montblanc em 2017, Nicolas Baretzki veio afinar definitivamente a oferta relojoeira de uma das marcas mais fortes do grupo Richemont. No seu primeiro SIHH, a feira de alta relojoaria de Genebra, o novo CEO da marca, que veio substituir Jérôme Lambert (promovido a director operacional da Richemont), vem dar consistência ao projecto de tornar a Montblanc numa referência incontornável no mercado de luxo para homens.

Hoje, entre 20% e 25% do negócio da Montblanc vem da relojoaria, o que diz bem da atenção a que ela é devotada. A marca produz já cerca de 80 mil peças por ano e um dos seus trunfos é a capacidade de equilibrar a boa qualidade com preços imbatíveis. A que se alia o carácter forte dos produtos.

É disso que nos fala Nicolas Baretzki: "Este é um ano importante para nós, não só pelas novidades, mas porque terminámos quatro anos de alterações. Diminuímos as colecções, recuperámos a herança da Minerva, trouxemos mais claridade para os clientes. Está tudo nos nossos relógios, com o espírito da exploração de montanha. E trazemos inovação. Por outro lado, trazemos em cada colecção um movimento de marca com um preço imbatível. É essa consistência que nos interessa." E acrescenta: "A Montblanc continua a progredir dentro do grupo e a característica da marca é apoiar-se na sua história e na sua herança para fabricar modelos novos. O nosso objectivo é tornarmo-nos uma das grandes casas de acessórios de luxo para homem. Em 1997, a Montblanc abriu uma fábrica para a produção de relógios em Le Locle. Depois, em 2006, adquiriu a Minerva, instalada em Villaret desde 1858 e juntou-a à nossa sociedade. Assim atingimos sinergias e verticalização."

A estratégia está pensada para o presente e para o futuro. Por isso, as propostas apresentadas no SIHH têm que ver com isso: " A experiência da Minerva e os calibres que desenvolveu inspiram a nossa produção contemporânea. Neste SIHH, apresentámos muitos modelos em que a linha 1858, com cerca de 20 referências, utiliza o universo da Minerva. Depois, a nossa posição em matéria de preço é muito agressiva. O preço médio dos nossos relógios situa-se entre 3000 e 3500 euros. É muito forte."

A racionalização da oferta, com a contracção das colecções, foi um resultado da nova estratégia. Que também tem que ver com os mercados da Montblanc: "O nosso primeiro mercado é a China. China e Coreia representam cerca de um terço das nossas vendas, sobretudo na faixa entre os 25 e os 35 anos - calcula-se que o mercado de luxo no futuro será focado nessa faixa etária. Também queremos desenvolver a área digital. Na Grã-Bretanha, 25% das nossas vendas já são feitas na internet."

Nicolas Baretzki sente-se confortável no seu novo cargo. Sorri quando fala da sensação: "É uma mistura de excitação, orgulho e de exaustão. Mas é divertido."


Espírito

Uma das mais sonantes novidades da Montblanc no SIHH deste ano foi o Geosphere, integrado na colecção 1858. Inspirada pelos lendários relógios profissionais Minerva criados nas décadas de 1920 e 1930 para uso militar e de montanhismo, esta colecção é uma herança viva, apresentando complicações inovadoras, de que este Worldtime Geosphere com caixa de 42 mm é exemplar. Nele está reflectida a atitude "vintage" da Minerva. Este Geosphere espelha o espírito do montanhismo de exploração com um relógio profissional e inovador, destinado aos que viajam pelo mundo em busca de novas aventuras. Apresenta uma nova complicação mundial impulsionada pelo calibre MB 29.25, desenvolvido na Montblanc de Villeret. O relógio surge com dois globos, representando os hemisférios que fazem uma rotação completa em 24 horas. O hemisfério norte, às 12h, gira no sentido inverso aos dos ponteiros do relógio, enquanto o sul gira no sentido das agulhas do relógio. Ambos estão rodeados por uma escala com as 24 zonas horárias, com a indicação dia/noite. A esfera negra do Montblanc 1858 Geosphere apresenta também outras cores contrastadas segundo os modelos. O relógio inclui todos os códigos de desenho da colecção 1858 com números árabes e índices luminescentes. O Geosphere é resistente até 100 metros e está certificado pelo Montblanc Laboratory Test 500. Um modelo que foi uma das boas surpresas do SIHH deste ano. 




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