Weekend O Salão de Basileia está em perigo

O Salão de Basileia está em perigo

Um dos dois mais importantes salões de alta relojoaria do mundo, o Baselworld, sofreu um dano enorme quando o Grupo Swatch anunciou que não estará presente. A culpa é das possibilidades geradas pelo mundo virtual.
O Salão de Basileia está em perigo
José Vegar 15 de setembro de 2018 às 09:00
Reina uma certa agitação comovente no habitualmente selecto e distinto mundo da alta relojoaria. A comoção foi causada pelo poderoso grupo Swatch, que anunciou estrondosamente que não estaria presente na edição de 2019 da Baselworld, a maior feira do sector, juntamente com o seu par, o Salão de Alta Relojoaria de Genebra, que se irá realizar em Março.

O Grupo Swatch não só tornou pública a sua retirada, como, num comunicado oficial, e em várias declarações aos media foi assertivo nas suas justificações. Defende que está dominado por dúvidas de que nos dias de hoje faça sentido erguer uma feira para mostrar peças de alta relojoaria e que tem ainda mais dúvidas de que os clientes, tanto operadores como particulares, sintam algum tipo de excitação por este tipo de evento. A razão, diz o Grupo, é que as inúmeras possibilidades de exibição e comunicação geradas pelas plataformas virtuais, das redes sociais aos grupos de mensagens, retiram às feiras o seu maior valor, o de serem a montra da novidade, da descoberta e do contacto.

De forma igualmente emotiva reagiu o Grupo MCH, responsável pela organização da feira. Os executivos lançaram-se numa pujante campanha de comunicação, alicerçada, antes de tudo o mais, naquilo que consideram o valor único da feira, o de permitir o contacto directo e pessoal com as peças, um movimento muito estimado no mundo da alta relojoaria, onde toda a compra se baseia na emoção e no impacto estético. Os executivos da MCH dizem também que lançaram a sua atenção para as marcas, perguntando-lhes francamente por sugestões para melhoria da feira. Ao mesmo tempo, a MCH comprometeu-se a aumentar o espaço dedicado à joalharia, um dos mais procurados, e também, a pressionar os restaurantes e hotéis de Basileia para não inflacionarem os preços durante a data do certame, uma tradição local anual. Em princípio, a edição 2019 do salão irá realizar-se já que até agora nenhum grande "player" anunciou a sua intenção de seguir a direcção dos ponteiros da Swatch. Mas, inevitavelmente, o dano, que é enorme, está instalado.

O grande problema para os peso pesados, como o Baselworld, é o poder dos ligeiros virtuais. A rede está cheia de nós, comunidades, sites e microsites de enorme valor gráfico e ainda maior conhecimento, que apresentam, dissecam e discutem, para além de comercializarem, as peças relojoeiras com grande autoridade. E fazem-no de um modo rápido e contínuo. Como em quase todas as dimensões da contemporaneidade, a rede está a mudar radicalmente a paisagem e o jogo.


Nota ao leitor: Os bens culturais, também classificados como bens de paixão, deixaram de ser um investimento de elite, e a designação inclui hoje uma panóplia gigantesca de temas, que vão dos mais tradicionais, como a arte ou os automóveis clássicos, a outros totalmente contemporâneos, como são os têxteis, o mobiliário de design ou a moda. Ao mesmo tempo, os bens culturais são activos acessíveis e disputados em mercados globais extremamente competitivos. Semanalmente, o Negócios irá revelar algumas das histórias fascinantes relacionadas com estes mercados, partilhando assim, de forma independente, a informação mais preciosa.





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