O assombro do General: 50 anos da morte de Humberto Delgado
Candidatou-se à presidência da República e enfrentou Salazar como nunca ninguém até aí o tinha feito, afirmando numa conferência de imprensa que, como economista, o então Presidente do Conselho estava "obsoleto". "Obviamente demito-o!" caiu como uma bomba sobre o regime.
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No dia anterior, Humberto Delgado reunira o seu "staff" na casa onde morava em Lisboa, um quinto andar na rua Filipe Folque. Estávamos a 9 de Maio de 1958 e a campanha eleitoral para as presidenciais estava ao rubro. Nessa semana, o candidato iria ao Porto, onde, ainda ninguém o imaginava, mas haveria de ser recebido com banhos de multidão. Mas, antes de isso, estava marcada uma conferência de imprensa em Lisboa, no café Chave D'Ouro. Um acontecimento, uma vez que falar assim aos jornalistas era coisa que o regime nunca fazia. Humberto Delgado teria pela frente não só os repórteres portugueses, mas também representantes de órgãos de comunicação estrangeiros.