Outros sites Cofina
Notícias em Destaque
Notícia

O toque das mulheres nos edifícios de Lisboa

Há três roteiros em Lisboa que têm como fio condutor os edifícios de arquitectura moderna que tiveram a intervenção de mulheres - sejam elas designers, arquitectas ou engenheiras civis. O convite é para descobrir o toque feminino destas estruturas.

Filipa Lino flino@negocios.pt 16 de Outubro de 2016 às 10:00
  • Assine já 1€/1 mês
  • ...
Foto em cima: Painel "O Mar" (1958), da artista Maria Keil, na Avenida Infante Santo.

A viagem pode começar na Estação Fluvial Sul e Sueste (junto ao Terreiro do Paço), no Bar Left (em Santos), ou no Edifício Heron Castilho (junto ao Marquês de Pombal). Tudo depende do itinerário escolhido. Mas o objectivo é sempre o mesmo - olhar de forma atenta para os 19 edifícios modernos desenhados ou intervencionados por mulheres portuguesas. Ao todo, são três os percursos: "Da Baixa às colinas"; "De Santos a Belém" e "Lisboa Moderna". Foram todos desenhados por Maria Helena Souto, professora do IADE e uma estudiosa da história da arte portuguesa no feminino.

"A minha preocupação foi criar dois percursos que fossem claramente ligados à Lisboa antiga", disse, ao Negócios, Maria Helena Souto. Esta investigadora representa Portugal no projecto europeu MoMoWo - Women's creativity since the Modern Movement, que resulta de uma parceria entre sete instituições de ensino superior de seis Estados-membros: Itália, Portugal, Holanda, Eslovénia, França e Espanha. O projecto, financiado por fundos comunitários, é uma homenagem ao trabalho das mulheres nas áreas da arquitectura, engenharia civil, planeamento urbano, paisagismo, design de produto e interiores.

No caso da Estação Fluvial Sul e Sueste, a homenageada é a arquitecta Ana Costa, a neta de Cottinelli Telmo, o arquitecto que desenhou o edifício construído entre 1929 e 1931, no estilo art decó. Foi ela que liderou o projecto de recuperação e ligação ao metro em 2003 e agora será também responsável pela segunda intervenção na obra do avô, que está prestes a começar. Mas há outros edifícios emblemáticos da cidade nos percursos propostos: o MUDE - Museu do Design e da Moda, o Teatro da Politécnica, a antiga Escola Machado de Castro, o Museu Nacional dos Coches, o Hotel Ritz ou o Anfiteatro da Fundação Gulbenkian, também estão nos mapas. No segundo itinerário é também destacado o painel de azulejos "O Mar", de Maria Keil, na Avenida Infante Santo. Mas "são principalmente obras de arquitectura porque acaba por ser o mais evidente", explica Maria Helena Souto, acrescentando logo de seguida que os edifícios podem ser visitados por dentro. Os guias dos itinerários, com informação detalhada sobre as obras e as mulheres ligadas aos respectivos projectos, estão em inglês e podem ser descarregados em www.momowo.eu, tanto na versão app como em pdf.

Uma linha do tempo

Paralelamente aos percursos por Lisboa, a MoMoWo apresenta, na Fundação Portuguesa das Comunicações, até ao final do mês, a exposição itinerante "100 obras em 100 anos - Mulheres Europeias na Arquitectura e no Design". Trata-se de uma mostra digital, que já esteve em Oviedo, onde se destacam os feitos das mulheres num século, ordenados numa linha temporal desde 1918 até à actualidade. Esta linha, denominada "Chronomomowo", dá particular relevo às mulheres "que contribuíram decisivamente para a afirmação destas profissões da arte, arquitectura, do design e da engenharia civil", diz Maria Helena Souto. Nesta mostra estão duas mesas interactivas onde os visitantes podem conhecer em pormenor as 100 obras de mulheres em 100 anos, e outra apresentação dedicada apenas às obras de mulheres portuguesas. Na lista constam nomes como a arquitecta Teresa Nunes da Ponte, a artista Maria Keil e a designer Maria Helena Matos.

Depois de Lisboa, a mostra segue para Grenoble, Amesterdão, Liubliana e termina em Turim. Na outra mesa interactiva, o visitante pode conhecer as 19 obras dos três itinerários propostos pela MoMoWo. Tudo através do toque no ecrã. Sem ter de andar a pé ou de carro.

Escola de Turismo e Hotelaria de Lisboa (2009), da arquitecta Teresa Nunes da Ponte.
Escola de Turismo e Hotelaria de Lisboa (2009), da arquitecta Teresa Nunes da Ponte.


Espaço Espelho d'Água (2014), com azulejos desenhados pelo Estúdio Pedrita (Rita João e Pedro Ferreira).
Espaço Espelho d'Água (2014), com azulejos desenhados pelo Estúdio Pedrita (Rita João e Pedro Ferreira).


Altis Hotel, da dupla de arquitectos Fernando Sanchez Salvador e Margarida Grácio Nunes.
Altis Hotel, da dupla de arquitectos Fernando Sanchez Salvador e Margarida Grácio Nunes.


Condomínio Twin Towers (1999) da arquitecta Olga Quintanilha.
Condomínio Twin Towers (1999) da arquitecta Olga Quintanilha.


Ver comentários
Saber mais arte itinerários Lisboa arquitectura design mulheres MoMoWo exposição engenharia civil edifícios Maria Helena Souto IADE
Outras Notícias