Weekend Virgolino Faneca revela a entrevista integral a Jorge Jesus

Virgolino Faneca revela a entrevista integral a Jorge Jesus

Houve uma parte da entrevista de Rui Santos a Jorge Jesus que não foi transmitida pela SIC. Virgolino Faneca, com a ajuda de um sobrinho, revela aqui a conversa que não chegou aos telespectadores.
Virgolino Faneca revela a entrevista integral a Jorge Jesus
Celso Filipe 27 de maio de 2016 às 17:00

Caro Tibúrcio

 

Espero que esta te encontre bem aí na Guatemala. Como sei que tu te manténs um fiel seguidor do futebol português e um incondicional fã de Jorge Jesus, serve a presente para te dar a conhecer o teor de parte da entrevista, digamos assim, que Rui Santos fez na SIC ao treinador do Sporting, a qual não foi transmitida por limitações de tempo.

 

Como tenho um sobrinho que é amigo de um primo em segundo grau de uma das maquilhadoras da SIC, consegui uma pen com o áudio da entrevista integral e desgravei a parte que não foi para o ar e que agora te envio.

 

O resultado foi o que se segue.

 

Rui Santos (RS) – Jorge, constou-me que a escolha dos 23 jogadores para a selecção nacional teve um dedo teu?

Jorge Jesus (JJ) – Um dedo?! (risos prolongados) Então eu tenho dez dedos nas mãos para quê?

RS – Queres com isso dizer que as escolhas foram todas tuas?

JJ – Isso és tu que estás a dizer, pá! Eu sobre isso não falo mais. Pergunta ao Nico…

RS – Mas o que é que o Gaitán tem a ver com a selecção portuguesa?

JJ – Nada. Por isso é que é melhor perguntares-lhe.

RS – Já percebi. Não te queres alongar sobre o assunto…

JJ – Alongamentos? Isso é falares com o meu preparador físico, o Mário Monteiro, eu só trato das questões do "forno" técnico-táctico.

RS – Olha, tenho muita curiosidade em perguntar-te isto: esta equipa do Benfica que foi campeã nacional tem ainda o teu toque?

JJ – Isso é conversa para ter com os meus amigos e que eu saiba ainda não te convidei para ires comigo ao "Olho Azul" da Venda Nova comer caracóis, ou já?

RS – Não.

JJ – Bem me parecia. Então não te posso responder. Só te posso dizer que uns criam e outros copiam.

RS – O Confúcio dizia: "é próprio de um espírito sem vergonha preferir o papel de um crítico que censura ao de um poeta que cria".

JJ – Não sei quem é esse Confúcio, mas esta coisa de eu criar e outros copiarem, há muitos anos que falo disso. E por isso pergunto-te: há quanto tempo é que esse tal de Confúcio mandou essa boca?

RS – Para aí em 479 antes de Cristo.

JJ – Outro usurpador. Antes de Cristo não existia nada e o Jesus das tácticas sou eu.

RS – A vitória do Braga na Taça de Portugal também teve um dedo teu?

JJ – Isto está a tornar-se repetitivo. Um dedo?! (risos prolongados) Então eu tenho dez dedos nas mãos para quê?

RS – Mas já passaram sete anos desde que foste treinador do Braga.

JJ – E depois? O Alan ainda lá está…

RS– …Nem sequer jogou na final!

JJ – Ora aí está. Se tivesse jogado, o Braga tinha ganho logo sem ser preciso ir a penáltis.

RS – O que achas do meu ranking espectacular, construído com base em critérios científicos, que te coloca como o melhor treinador da primeira liga?

JJ – Acho bem. Só não percebo é porque é o segundo classificado ficou tão perto de mim?!

RS – Tinha de ser... Afinal, o Rui Vitória ganhou o campeonato.

JJ – Ganhou o tanas! Eu, este ano, treinei o Sporting em corpo e o Benfica em espírito. E, não sei se sabes, mas costuma dizer-se que o espírito é sempre superior ao corpo.

RS – Não atribuis qualquer mérito ao Rui Vitória?

JJ – E a mim, deram-me algum mérito? O meu espírito esteve lá esta época, não recebi nada e ainda por cima fui processado. O Vitória é como esse tal de Confúcio.

RS – Incomoda-te o facto do Bruno Carvalho se sentar no banco dos suplentes?

JJ – Incomodar porquê? Quando ele não aparece, até pergunto: onde é que está o presidente? Pelo menos, enquanto está no banco, não tem tempo para escrever no Facebook.

RS – Que avaliação fazes do trabalho de Augusto Inácio enquanto director de relações internacionais do Sporting?

JJ- Isto não era suposto ser uma entrevista para falar de assuntos sérios?

RS – Era, não. É.

JJ – Então faz perguntas como deve ser ou para a próxima só aceito ser entrevistado pela Júlia Pinheiro.

RS – Ok. Qual é a tua opinião sobre o facto do Manchester United ter contratado o José Mourinho?

JJ – Eles ligaram-me mas eu pensei que fossem uns gajos a impingirem-me cursos de inglês da Oxford. Tipo "are you free", "free" livre, livre oferecido, e quando as coisas são dadas, uma pessoa desconfia sempre. Quando dei pela coisa, ainda chamei o Octávio, que costuma estar sempre juntinho a mim, mas que na naquela altura não estava.

RS – Não estava porquê?

JJ – Lá estão vocês a querer arranjar polémica. Não estava pela simples razão de que eu me encontrava na casa de banho. É preciso fazer um desenho?

RS – E o United?

JJ – É uma oportunidade para o Mourinho demonstrar que também sabe criar. Eu, de Portugal, só saio para clubes grandes.

 

Espero que este material te sirva para matar saudades da nossa terrinha. Com um abraço cheio de estima,


Virgolino Faneca

Quem é Virgolino FanecaVirgolino Faneca é filho de peixeiro (Faneca é alcunha e não apelido) e de uma mulher apaixonada pelos segredos da semiótica textual. Tem 48 anos e é licenciado em Filologia pela Universidade de Paris, pequena localidade no Texas, onde Wim Wenders filmou. É um "vasco pulidiano" assumido e baseia as suas análises no azedo sofisma: se é bom, não existe ou nunca deveria ter existido. Dele disse, embora sem o ler, Pacheco Pereira: "É dotado de um pensamento estruturante e uma só opinião sua vale mais do que a obra completa de Nuno Rogeiro". É presença constante nos "Prós e Contras" da RTP1. Fica na última fila para lhe ser mais fácil ir à rua fumar e meditar. Sobre o quê? Boa pergunta, a que nem o próprio sabe responder. Só sabe que os seus escritos vão mudar a política em Portugal. Provavelmente para o rés-do-chão esquerdo, onde vive a menina Clotilde, a sua grande paixão. O seu propósito é informar epistolarmente familiares, amigos, emigrantes, imigrantes, desconhecidos e extraterrestres, do que se passa em Portugal e no mundo. Coisa pouca, portanto.



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