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Virgolino Faneca aconselha Durão a citar Mao para responder ao esquentador

José Manuel tem sido alvo de ataques vis, praticados por um tipo com nome de esquentador e um entregador de pizzas disfarçado de presidente francês. Virgolino Faneca sai em sua defesa e aconselha-o a citar Mao. É ler.

Celso Filipe cfilipe@negocios.pt 16 de Setembro de 2016 às 16:00
Prezado José Manuel, 

Escrevo-te esta carta, manifestamente condoído e solidário contigo, por seres classificado como um lobista por um senhor que tem nome de esquentador, um tal de Juncker.


Tu, que dedicaste a vida à causa pública, aceitando a cruz de ser presidente da Comissão Europeia durante 10 anos, uma tarefa que só te deu chatices, és agora achincalhado pelo luxemburguês que te substituiu só porque aceitaste o cargo de "chairman" do Goldman Sachs International.


Isto já para não falar de Portugal, onde foste dois anos primeiro-ministro, um lugar que abandonaste com grande dignidade porque os homens bons não podem, nem devem viver, em pântanos.

De facto, os senhores de Bruxelas não têm vergonha na cara. Digo mais. Tu foste um missionário, um carmelita de pé descalço, que andou a pregar pelos quatro cantos do mundo as virtudes da União Europeia, do euro e quejandos, e agora puxam-te a passadeira vermelha. Ora bolas! A ingratidão é mesmo ilimitada, é o que é.

Vamos ver, o senhor Draghi, que manda no BCE, também passou pelo Goldman Sachs antes de chegar a Frankfurt, a senhora que tomava conta da Concorrência, a menina Neelie, foi trabalhar para a Uber, o senhor Schroeder, que foi chanceler alemão, é consultor da Gazprom. Curiosamente, não vejo ninguém criticar-te de forma acintosa por fazeres parte do clube de Bilderberg, um grupo que em resguardo reflecte sobre os problemas do mundo, e ao qual é atribuído um poder conspirativo de 11 na escala de um a 10.

E até o presidente francês, o tal de Hollande, se juntou à festa, fazendo de ti o bombo de crítica. E eu pergunto: um senhor que ia de lambreta para se encontrar com a amante e entrava na casa dela de capacete na cabeça, para se fazer passar por um entregador de pizzas, tem legitimidade para alguma coisa? Ah, pois é!

Cá para mim fizeste muito bem ir em para o Goldman. Até já lá tens amigos, por exemplo, o Arnaut, que foi teu ministro, e podes aprender muito sobre a manipulação de contas públicas, oferecendo depois o teu saber adquirido ao nosso querido Portugal. O Goldman é um banco sempre disposto a ajudar, uma instituição muito aberta e dinâmica. Não é por acaso que o seu presidente, Lloyd Blankfein, clama: "sou um banqueiro a fazer o trabalho de Deus". Seguindo este raciocínio, tu serás um anjo, ou seja, um ajudante de Deus, sendo que Deus é o presidente do Goldman Sachs.

Aliás, a tua declaração não deixa margem para dúvidas: "não desempenhei actividades de lóbi em nome da Goldman Sachs e não pretendo vir a fazê-lo". É óbvio. Um anjo dedica-se exclusivamente a fazer o lóbi de Deus, concebido à imagem e semelhança do senhor Blankfein.

Na minha imodesta opinião, a maltosa de Bruxelas quis dar uma de gente séria e impoluta, e tu, José Manuel, eras o tipo que estavas mesmo à mão para servir esse desiderato. Se eu estivesse no teu lugar, recuperaria um pensamento do camarada Mao, com quem privaste ideologicamente na adolescência e responderia assim ao senhor Juncker e outros que tais: "a bosta de boi é mais útil do que os dogmas; serve para fazer estrume".

Para que não sintas falta de nada, já estou aqui na terrinha a fazer uma colecta para te comprar uma passadeira vermelha, não se vá dar o caso dos senhores do Goldman não terem dinheiro para te comprar uma.

Um abraço deste que te estima,
Virgolino Faneca
Virgolino Faneca é filho de peixeiro (Faneca é alcunha e não apelido) e de uma mulher apaixonada pelos segredos da semiótica textual.

Tem 48 anos e é licenciado em Filologia pela Universidade de Paris, pequena localidade no Texas, onde Wim Wenders filmou. É um "vasco pulidiano" assumido e baseia as suas análises no azedo sofisma: se é bom, não existe ou nunca deveria ter existido. Dele disse, embora sem o ler, Pacheco Pereira: "É dotado de um pensamento estruturante e uma só opinião sua vale mais do que a obra completa de Nuno Rogeiro". É presença constante nos "Prós e Contras" da RTP1.

Fica na última fila para lhe ser mais fácil ir à rua fumar e meditar. Sobre o quê? Boa pergunta, a que nem o próprio sabe responder. Só sabe que os seus escritos vão mudar a política em Portugal. Provavelmente para o rés-do-chão esquerdo, onde vive a menina Clotilde, a sua grande paixão. O seu propósito é informar epistolarmente familiares, amigos, emigrantes, imigrantes, desconhecidos e extraterrestres, do que se passa em Portugal e no mundo. Coisa pouca, portanto.
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