A única forma de derrotar Hitler
“Aliados em guerra” é um monumental livro de Tim Bouverie sobre os políticos e as potências rivais que tiveram de se unir para vencer a II Guerra, para depois voltarem a detestar-se mutuamente.
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A expressão “o inimigo do meu inimigo, meu amigo é” teve na II Guerra Mundial o seu expoente com a improvável aliança entre os Estados Unidos e a União Soviética, guiados ou unidos pela Grã-Bretanha de Churchill, rematados ainda pela resistência francesa. Foi uma improvável união entre as conflituantes potências coloniais do século e as correntes ideológicas que dividiram o mundo (de recordar que a União Soviética era “um empreendimento revolucionário, alicerçado numa ideologia que, ao mesmo tempo, previa e pregava o derrube do capitalismo através da violência”), que temporariamente lutaram para um objetivo comum: derrotar as potências do Eixo, com a Alemanha à cabeça. Foi essa a missão do jovem historiador-estrela Tim Bouverie, de 38 anos, ele que logo no início assume que não há período da História mais documentado e publicado do que a II Guerra - ainda assim, conseguiu encontrar aqui um ponto por explorar e fazer um dos grandes livros do conflito. Tim Bouverie, que se estreou em 2019 com “Appeasing Hitler” (2019), mostra como a vitória contra a Alemanha nazi resultou de uma aliança cheia de tensões, desconfianças e interesses contraditórios. “Aliados em guerra” parece muitas vezes um livro sobre diplomacia, mais do que sobre História e muito mais do que sobre operações militares, com o autor a utilizar cartas, memórias, diários e arquivos históricos para reconstruir as conversas e decisões com tensão dramática.