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Conversas de Fomento

“Não invisto em sonhos, invisto em execução”

Nas duas mesas-redondas do Conversas com Fomento, empreendedores e investidores debateram sustentabilidade, inteligência artificial, tecnologia, o ecossistema de startups, a reforma do Estado e as exportações.

09:35
Paulo Dimas, Cristina Fonseca e Philippe Sachs no debate sobre IA e empreendedorismo, moderado por Hugo Bragança Monteiro.
Paulo Dimas, Cristina Fonseca e Philippe Sachs no debate sobre IA e empreendedorismo, moderado por Hugo Bragança Monteiro. Tomás de Melo Gonçalves

No debate sobre a IA e o empreendedorismo, Cristina Fonseca, administradora da Indico Capital Partners, salientou que “temos dezenas de empreendedores a tentarem-nos vender ideias de negócio todos os dias, mas eu não invisto em sonhos, invisto em execução”. Defende que as startups têm de nascer globais e ter produtos e serviços que resolvem melhor os problemas que existem. Cristina Fonseca disse ainda que a Europa está à frente nas soluções de compliance, “que é um setor que nos últimos anos tem sofrido muitos avanços e se tem tornado muito mais complexo, sobretudo na Europa. Há muitas empresas europeias que estão à frente e que se estão a desenvolver em inteligência artificial”.

Por sua vez, Phillipe Sachs considera que Portugal tem vantagens em energia renovável e verde, abundante e a custos competitivos, para um hub de computação de inteligência artificial. A Nscale é uma empresa britânica de infraestrutura para o desenvolvimento de inteligência artificial, que está no centro de dados da Start Campus, em Sines. Por sua vez, Paulo Dimas, executivo do Center for Responsible AI (Centro para Inteligência Artificial Responsável), revelou que têm 63 milhões de euros de investimento em inteligência artificial responsável, com 81% de execução, 19 produtos de inteligência artificial e 24 patentes. Considerou ainda que a “sustentabilidade é um dos pilares da inteligência artificial”.

“A cultura é sempre um parente pobre nos orçamentos e sabemos que nunca há dinheiro. Mas a cultura é a principal matéria-prima do turismo, que em 2025 representou 21,5% do PIB de Portugal”, afirmou Ricardo Clemente, um dos criadores do Quake – Museu do Terramoto de Lisboa. E deu como exemplo a forma como o Estado “vende o seu produto de forma barata”. O monumento da Sagrada Família, em Barcelona, tem receitas anuais quatro vezes superiores às da Museus e Monumentos de Portugal, que teve uma receita, em 2025, de 19 milhões de euros.

“Juntos vamos mais longe”

Lídia Tarré, administradora da Gelpeixe, afirmou que a “sustentabilidade não é uma obrigação, é uma responsabilidade”, até porque a competitividade nos mercados internacionais passa pela sustentabilidade. Partilhou algumas lições que a experiência lhe deu e defendeu que, na exportação, é necessária resiliência e capacidade financeira. Defendeu ainda o networking e o princípio dos ecossistemas, porque “sozinhos até podemos ir mais rápidos, mas juntos vamos certamente muito mais longe”.

O Grupo Bel tem 115 empresas, conta com cerca de 4 mil funcionários e é muito diversificado. Vai da produção de satélites aos pastéis de nata, passando pela logística e pelos media. Marco Galinha, fundador, presidente e CEO, defendeu que a Europa só tem vantagens em seguir os princípios ESG e de sustentabilidade, processo que lidera, porque vão ser um lugar bom para as pessoas viverem, porque é “uma forma de criar valor e aportar valor à sociedade”. Referiu que o grupo está a investir num datacenter para ter os próprios LLM, para não ficar dependente dos grandes operadores mundiais.

Por sua vez, Ricardo Moita Flores trouxe a história da Introsys, que a crise da pandemia de Covid-19 levou a mudar de estratégia. A empresa estava vocacionada para a prestação de serviços aos grandes grupos automóvel, como a BMW e a Volkswagen, negócios que foram “fortemente impactados com o Covid-19. Por isso, numa perspetiva de continuidade e de mitigação do risco, reinventou-se para não estar exposta a um único setor de atividade”. A partir de 2022, começaram a desenvolver produtos proprietários na área da visão inteligente e máquinas para resolver problemas da indústria portuguesa.

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