“Estamos a ultimar a mobilização de mais mil milhões de euros para investimento com o Banco Europeu de Investimento (BEI). Em linhas de crédito colocaremos três mil milhões de euros”, referiu Gonçalo Regalado, presidente do Banco Português de Fomento (BPF), na conferência Conversas com Fomento, que reuniu no Campo Pequeno 900 empresários, gestores e decisores.
O responsável adiantou ainda que, a 24 de fevereiro, havia 748 milhões de euros em contratação nas linhas para a reconstrução, o que equivale a 68% do valor total de 1.110 milhões de euros das candidaturas submetidas. Estavam em validação 30 milhões de euros, em processamento 297 milhões e com dados em falta junto da banca 57 milhões. O dinheiro chegou a cerca de 3.300 empresas. “Fizemo-lo com todos os bancos comerciais”.
Houve candidaturas em todos os distritos afetados, mas Leiria destaca-se, com metade das candidaturas apresentadas, no valor de 536 milhões de euros. Seguem-se Santarém, com 15% (170 milhões), Coimbra, com 149 milhões (13%), e Lisboa, com 110 milhões.
O evento destinava-se a fazer um balanço do trabalho desenvolvido em 2025 e a antecipar a execução para 2026 e anos seguintes. O banco mobilizou para a economia portuguesa, em 2025, mais de 6.500 milhões de euros, com um impacto de 2,2% no PIB, e subiu no ranking dos bancos de fomento europeus da 16.ª para a 5.ª posição.
Os grandes projetos
O banco apoiou projetos de investimento, em modelos sindicados com os bancos comerciais, no valor de 3,4 mil milhões de euros e, “com os nossos parceiros da banca comercial, mobilizámos mais de 2.000 milhões de euros no aumento do stock de crédito”, adiantou Gonçalo Regalado. O presidente do BPF destacou ainda a transformação digital do banco, que permitiu simplificar a vida aos empresários, reduzindo o tempo de resposta de 49 para cinco dias e de 27 para cinco documentos.
No capital, o banco começou com 361 milhões de euros de instrumentos de capital colocados em fundos de capital de investimento e em empresas e chegou aos 832 milhões de euros. “Tínhamos uma execução de cerca de 28% e temos hoje uma execução de 98%”, afirmou. “Nestas 306 empresas apoiadas, criámos e mobilizámos mais de 5.300 postos de trabalho, que representam hoje mais de 1.700 milhões de euros de volume de negócios”, acrescentou.
Em termos de grandes projetos públicos e privados, o Banco Português de Fomento está envolvido na construção do novo Hospital de Lisboa Oriental, no primeiro troço de TGV entre o Porto e Oiã e no financiamento de dois centros de dados. Participa ainda no primeiro carro elétrico construído em Portugal pela Autoeuropa, em projetos de hidrogénio e na construção de motores elétricos e geradores, na ampliação de terrenos cultiváveis e na organização do consórcio e da candidatura a uma das cinco gigafábricas europeias de inteligência artificial.