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As soft skills que vão definir os líderes em 2026

As competências comportamentais voltam a ocupar o centro dos programas de formação executiva. Da liderança à adaptabilidade, do pensamento crítico à inteligência relacional são várias as soft skills que separam os gestores que resistem dos que antecipam.

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Soft skills
Soft skills GettyImages

Rafalel Rocha, diretor-geral da Confederação Empresarial de Portugal (), sublinha que o ano de 2026, à semelhança dos anteriores, se tem revelado profundamente desafiante, marcado por uma complexidade geopolítica crescente, com tensões internacionais, pressões ao nível da energia e da segurança, e uma reconfiguração das cadeias de valor com impacto direto na atividade das empresas e nas decisões dos seus líderes. Nesse enquadramento, o responsável identifica um conjunto de competências que nenhum programa executivo pode ignorar. Em primeiro lugar, a capacidade de leitura do contexto e de tomada de decisão em ambientes complexos, em que fatores externos condicionam diretamente o negócio. O pensamento estratégico surge, nesta lógica, com uma exigência renovada: combinar visão de médio e longo prazo com capacidade de adaptação rápida. Rafael Rocha acrescenta ainda que “a literacia digital e a compreensão do impacto de tecnologias como a inteligência artificial são hoje determinantes para decisões mais informadas e para ganhos efetivos de produtividade”. Não se trata apenas de conhecer ferramentas, mas de saber integrá-las no raciocínio de gestão.

Liderar sob pressão

A liderança de equipas mantém-se no núcleo das prioridades formativas, sobretudo pela capacidade de mobilizar pessoas em contextos de pressão e mudança, promovendo culturas de responsabilidade, confiança e foco em resultados. Comunicação e gestão de conflito completam este quadro, mas com uma orientação explícita para a execução. João Pinto, dean da Católica Porto Business School, confirma esta leitura a partir da experiência direta dos alumni da escola. As competências mais citadas como decisivas para a progressão profissional são o pensamento crítico, a comunicação, a liderança de pessoas, a adaptabilidade, a inteligência relacional e a capacidade de decisão. “Num mercado em que a tecnologia automatiza cada vez mais tarefas, são precisamente estas competências humanas que mais diferenciam um líder”, conclui o responsável.

Rafael Rocha destaca ainda a colaboração e o pensamento sistémico como competências estruturais para quem opera num mundo cada vez mais interligado. A capacidade de trabalhar em rede e de compreender as interdependências entre empresas, setores e geografias deixou de ser um diferencial para passar a ser uma condição de base. O objetivo final, na sua perspetiva, é que estas competências permitam às empresas “não apenas reagir à incerteza, mas antecipar, adaptar-se e reforçar a sua produtividade e competitividade num contexto global em permanente transformação”.

Upskilling na linha da frente

Nas principais escolas de negócios portuguesas, a atualização de competências dentro da mesma área de especialização – upskilling continua a representar o maior volume de inscrições. Marta Ferreira, coordenadora executiva da Portucalense Business School, observa que a tendência mais evidente aponta para o crescimento do upskilling por parte de profissionais já inseridos no mercado, que procuram acompanhar a evolução das suas funções. Hoje, refere a responsável, “valoriza-se cada vez mais o profissional que investe de forma consistente na sua aprendizagem”. O reskilling surge, nesta leitura, como uma necessidade estratégica em momentos específicos da carreira.

Óscar Afonso, diretor da Faculdade de Economia da Universidade do Porto, propõe uma visão mais abrangente. Mais do que uma dicotomia, defende que se trata de “um continuum de aprendizagem ao longo da vida, no qual os executivos alternam entre aprofundamento e reconversão, em função das exigências do contexto”. A FEP regista crescimento do reskilling em áreas como dados, tecnologia, políticas públicas e sustentabilidade, domínios nos quais a interseção entre competências técnicas e de gestão é cada vez mais determinante.

A literacia digital e a compreensão do impacto de tecnologias como a inteligência artificial são hoje determinantes para decisões mais informadas e para ganhos efetivos de produtividade. Rafael Rocha, diretor-geral da CIP.
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