Entre Oliveira de Azeméis e Mangualde, camiões elétricos da transportadora TJA asseguram já uma operação logística contínua naquela que é a primeira rota de transporte pesado 100% elétrica em Portugal. Para fazer esta rota pioneira os veículos recorrem a soluções de carregamento ultrarrápido da Siemens, integradas com soluções de gestão de energia da Galp.
Para João Gouveia, responsável pela área de mobilidade elétrica na Siemens Portugal, este projeto mostra que eletrificar a logística e o transporte pesado exige mais do que veículos e carregadores: “A eletrificação dos veículos pesados não se resolve com tecnologia isolada — exige um ecossistema de parceiros a trabalhar em conjunto.”
Essa necessidade de integração está a tornar-se mais evidente à medida que a mobilidade elétrica ganha escala. O crescimento do número de veículos elétricos ligeiros é agora – cada vez mais – acompanhado pela eletrificação de autocarros, frotas logísticas e camiões, aumentando as exigências sobre a infraestrutura. “Já não estamos apenas a falar de instalar postos de carregamento, mas também de garantir qualidade do serviço, disponibilidade dos equipamentos, rapidez de carregamento e, sobretudo, integração inteligente com a rede elétrica”, explica João Gouveia.
Por outro lado, o transporte pesado coloca uma pressão adicional sobre a infraestrutura, porque requer potências de carregamento superiores. Para responder a estas necessidades sem sobrecarregar a rede, torna-se essencial gerir de forma inteligente a energia disponível. É precisamente nesta ligação entre carregamento e sistema elétrico que a Siemens procura posicionar-se. “Não somos apenas um fornecedor de equipamentos de carregamento. Temos soluções e uma visão integrada das redes elétricas, da baixa à alta tensão, e a capacidade de antecipar o que estas infraestruturas vão exigir nos próximos anos”, garante o responsável. Esta integração permite, por exemplo, articular o carregamento com a rede elétrica e com os sistemas de gestão das frotas e dos edifícios. O carregador integrado desta forma pode ajustar a potência disponível, evitar picos de consumo e tirar partido das variações do preço da energia. Ao mesmo tempo, os dados recolhidos permitem apoiar a manutenção preditiva dos equipamentos. Desta forma, mais do que um ponto de abastecimento, o carregador passa a fazer parte da gestão da energia e da gestão da própria operação. “Já não é um simples fornecedor de energia — é um componente estratégico”, sintetiza João Gouveia.
Portugal como base industrial e tecnológica
Esta capacidade de desenvolvimento de soluções que integrem carregamento, energia e gestão tem também uma base importante em Portugal. Uma parte significativa da equipa mundial de I&D da empresa nesta área trabalha na unidade da empresa em Corroios. Aqui a Siemens integra produção, investigação e desenvolvimento, vendas, engenharia, gestão de projeto e serviços ligados à mobilidade elétrica.
Desde 2020, segundo João Gouveia, foram produzidos em Corroios mais de 9.000 carregadores, exportados para dezenas de mercados na Europa, Médio Oriente, América do Sul, África e Oceânia. “Portugal é, neste contexto, uma referência global dentro e fora do universo Siemens”, assegura.
Esta existência industrial e tecnológica reflete-se também na presença da empresa no mercado nacional. Entre carregamento público e frotas privadas, a Siemens contabiliza mais de 600 pontos de carregamento rápido DC, correspondentes a mais de 250 carregadores e a 50 MW de potência instalada. A empresa está presente em cidades de Faro a Vila Real, cobrindo quase 80% do território nacional.
No entanto, é nas frotas de transporte público que a empresa possui atualmente a maior base instalada. A tecnologia da Siemens mantém diariamente mais de 400 autocarros elétricos em movimento, enquanto começa a abrir uma nova frente na eletrificação do transporte pesado de mercadorias como demonstra a operação entre Oliveira de Azeméis e Mangualde.
Neste contexto, e à medida que a mobilidade sustentável ganha escala e entra em novos segmentos, a disponibilidade e a rapidez dos equipamentos tornam-se cada vez mais determinantes. Como salienta João Gouveia, “para quem gere uma rede pública de carregamento, um posto fora de serviço não é apenas um inconveniente — é uma quebra de confiança”. No carregamento ultrarrápido, “cada minuto conta”, afirma. Assim, reduzir o tempo de espera melhora a experiência do utilizador e aumenta a rentabilidade para o operador.
Novas soluções aumentam potência e flexibilidade
A oferta da Siemens para a mobilidade elétrica combina hardware, software e serviços, procurando responder a necessidades que vão do carregamento de um veículo ligeiro à eletrificação de uma frota de camiões ou autocarros. “Não fornecemos apenas o carregador”, explica João Gouveia. A oferta inclui também gestão da energia, software de gestão de rede, planeamento da infraestrutura elétrica e serviços de manutenção e operação.
Entre as soluções disponibilizadas no carregamento rápido DC, o SICHARGE D disponibiliza até 400 kW e pode servir automóveis, autocarros e camiões. É uma solução “tudo-em-um”, com distribuição dinâmica de potência e soluções de pagamento integradas.
Para hubs com muitos pontos de carregamento, o SICHARGE FLEX aposta numa arquitetura modular. Uma unidade central de potência alimenta dispensadores remotos, permitindo acrescentar novos pontos sem duplicar toda a infraestrutura.
A Siemens dispõe ainda de soluções específicas para depots de transportes públicos e frotas logísticas, que permitem planear quando e como os veículos carregam e gerir a potência para não sobrecarregar a rede.
Uma das próximas evoluções está no transporte pesado de longo curso. A Siemens está a desenvolver soluções para o Megawatt Charging System (MCS), que permitirá carregamentos na ordem do megawatt.