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A tecnologia está a subir às vinhas de montanha

O Modular-E leva robótica autónoma às culturas em terrenos de difícil acesso, aumentando a eficiência e respondendo à falta de mão de obra no setor.

08:29
Filipe Santos recebeu o prémio na categoria “Novas Tecnologias na Produção Agrícola”, com o projeto Modular-E, uma plataforma robótica modular, elétrica e autónoma, desenvolvida para apoiar a agricultura em terrenos exigentes, como as vinhas de montanha.
Filipe Santos recebeu o prémio na categoria “Novas Tecnologias na Produção Agrícola”, com o projeto Modular-E, uma plataforma robótica modular, elétrica e autónoma, desenvolvida para apoiar a agricultura em terrenos exigentes, como as vinhas de montanha. Fernando Costa

A 12.ª edição do Prémio Empreendedorismo e Inovação do Crédito Agrícola voltou a pôr a tecnologia no centro da transformação agrícola. Na categoria “Novas Tecnologias na Produção Agrícola”, o projeto Modular-E destacou-se com uma proposta de robótica autónoma pensada para contextos exigentes, como as vinhas de montanha, onde a mecanização continua limitada e a escassez de mão de obra é crescente.

O protótipo, desenvolvido por uma equipa liderada por Filipe Santos, consiste numa plataforma robótica modular, elétrica, autónoma e transportável em veículo ligeiro (carta B). Concebido para operar em terrenos com elevado declive e mesmo na ausência de GNSS, graças a sistemas de navegação inteligente, o Modular-E executa tarefas como transporte, pulverização de precisão, gestão do coberto vegetal, monitorização detalhada e fertilização ao solo a taxa variável e ao pé da planta. Funções de poda e colheita estão previstas para validação no próximo ano.

Eficiência operacional e sustentabilidade

“O nosso projeto consiste no desenvolvimento de plataformas robóticas modelares, tratando-se de um robô que é capaz de navegar no meio de uma vinha e autonomamente realizar várias operações florestais, ou agrícolas, ou vitivinícolas, nomeadamente limpeza e manutenção do coberto vegetal, pulverização de precisão, colheita seletiva e também fertilização precisa”, explica Filipe Santos.

A génese do projeto está diretamente ligada à realidade do Douro e de outras regiões de montanha, onde “temos baixos níveis de mecanização e onde a escassez de recursos humanos é cada vez maior, as alterações climáticas estão a criar uma pressão enorme para estas vinhas serem mais sustentáveis e resilientes”. Perante este contexto, a necessidade de maquinaria adaptada a condições de difícil acesso tornou-se crítica, não apenas para substituir mão de obra indisponível, mas para assegurar operações de elevada precisão num cenário de maior variabilidade climática.

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