A inovação tecnológica, a sustentabilidade e a capacidade de resposta aos novos desafios do setor agrícola estiveram no centro da 12.ª edição do Prémio Empreendedorismo e Inovação do Crédito Agrícola. Com 156 candidaturas recebidas, a iniciativa volta a afirmar-se como uma das principais plataformas de reconhecimento de projetos que procuram reforçar a competitividade dos setores agrícola, agroalimentar e florestal em Portugal. A edição deste ano destacou quatro áreas consideradas críticas para o futuro do setor: Novas Tecnologias na Produção Agrícola; Resiliência de Pequenos Agricultores e Comunidades Rurais; Conservação dos Ecossistemas Florestais; e Inovação na Cadeia de Valor.
Além destas categorias, o prémio incluiu ainda a distinção de um Projeto de Elevado Potencial, promovido por Associado do Crédito Agrícola, uma Menção Honrosa Inovação em Parceria e a Distinção BfK Awards by ANI, atribuída ao projeto considerado o melhor exemplo de iniciativa “nascida do conhecimento”.
Na abertura da cerimónia, Simão Soares, presidente da P-BIO, sublinhou o papel crescente da inovação no desenvolvimento do setor e destacou a parceria da associação com o Crédito Agrícola, que, na sua opinião, “reflete precisamente a crescente interligação entre ciência, tecnologia e produção agrícola”. Para o responsável, a iniciativa permite dar visibilidade a projetos que abordam temas estruturais para o setor, desde a adoção de novas tecnologias até à resiliência das comunidades rurais e à conservação dos ecossistemas.
Preparar os terrenos para a IA
A sessão incluiu também uma reflexão sobre o impacto acelerado da tecnologia nas organizações e na economia. Miguel Mira da Silva destacou o ritmo sem precedentes da evolução digital, afirmando que “a tecnologia nos últimos três anos evoluiu mais do que nos últimos trinta a quarenta anos”. O professor catedrático e coordenador científico da área de Sistemas de Informação do Departamento de Engenharia Informática do Instituto Superior Técnico, explicou que os atuais sistemas de inteligência artificial já permitem automatizar um número crescente de processos complexos, substituindo tarefas que anteriormente exigiam equipas numerosas e longos períodos de desenvolvimento.
Entre os exemplos apresentados, referiu sistemas capazes de analisar grandes volumes de documentos ou de automatizar processos empresariais com reduções muito significativas de custos e de tempo. O especialista sublinhou ainda que a evolução tecnológica está a ocorrer a um ritmo exponencial e que a capacidade de adaptação das organizações será determinante para a competitividade futura.
Neste contexto, a inovação surge cada vez mais associada ao empreendedorismo e à criação de novos negócios, num cenário em que as tecnologias digitais, a inteligência artificial e os dados assumem um papel central na transformação dos setores económicos.
75 prémios em 12 anos
O encerramento da cerimónia coube a Sérgio Raposo Frade, presidente do Grupo Crédito Agrícola, que reafirmou a continuidade do compromisso da instituição com a inovação no setor agrícola. “Vai haver a 13.ª edição, como não podia deixar de ser”, afirmou.
O responsável recordou o percurso da iniciativa no decorrer dos últimos anos. “Ao longo deste tempo já premiámos mais de 75 projetos, acolhemos 144 finalistas e recebemos mais de 1.500 candidaturas. É um recorde em 12 anos e os números falam por si.” Para o presidente do Grupo CA, mais relevante do que os números é o impacto gerado pelos projetos. “É importante que este conhecimento, que demora tempo, exige esforço, muitas horas, paciência para esperar, se transforme em valor”, referiu Sérgio Raposo Frade.
Essa criação de valor, sublinhou, deve refletir-se não apenas na economia, mas também nas comunidades e no equilíbrio territorial do país. “É muito importante não só o valor que é criado para a economia, mas também para as comunidades e, sobretudo, para a coesão territorial”, afirmou.
As categorias definidas nesta edição refletem essa preocupação estratégica, num contexto marcado por alterações climáticas, pressão sobre os recursos naturais, volatilidade de mercados e exigências regulatórias crescentes. Sérgio Raposo Frade defendeu que a resposta passa pela combinação entre investimento, conhecimento e inovação. “Acreditamos que esta inovação deve estar ao serviço da produtividade, da sustentabilidade e da competitividade das empresas e instituições do país.”
Para o Crédito Agrícola, o prémio assume assim um papel que vai além da distinção de projetos, funcionando também como um instrumento de dinamização do ecossistema de inovação ligado à agricultura e ao mundo rural, reforçando a ligação entre empreendedores, centros de conhecimento e investidores.
Dirigindo-se aos finalistas e premiados, o responsável deixou uma mensagem de reconhecimento: “O vosso mérito é, de facto, o resultado da vossa competência, da perseverança e da capacidade de execução.” E reforçou o compromisso da instituição em acompanhar este ciclo de inovação, garantindo que “o Crédito Agrícola procurará estar ao vosso lado, dos premiados, dos finalistas e das pessoas envolvidas no ciclo de inovação.”