Num contexto de crescente transformação tecnológica no setor, a edição deste ano contou com 156 candidaturas marcadas pela presença de robótica e inteligência artificial no terreno. Sérgio Raposo Frade, presidente do Grupo Crédito Agrícola, defende uma estratégia centrada em projetos tecnológicos e sustentáveis capazes de fortalecer as comunidades rurais e assegurar que o valor acrescentado da nova agricultura permanece em Portugal.
De que forma esta 12.ª edição do Prémio reflete as prioridades da sua liderança para o triénio 2025-2027?
Esta edição foi desenhada para promover a inovação, a sustentabilidade e a digitalização no setor agrícola, alinhando-se com as prioridades estratégicas para 2025-2027. Procuramos valorizar projetos que apostam em soluções tecnológicas e modelos de negócio inovadores, promovendo uma agricultura mais resiliente, eficiente e sustentável, sempre com foco no desenvolvimento das comunidades rurais portuguesas.
Com 156 candidaturas de tanta qualidade, o que é que o surpreendeu pessoalmente na capacidade criativa dos empreendedores este ano?
Uma das características mais marcantes que tive oportunidade de observar foi a diversidade de ideias apresentadas e a coragem demonstrada pelos empreendedores em desafiar os paradigmas tradicionais. Destaco a capacidade de integrar tecnologia de ponta em soluções adaptadas à nossa realidade agrícola, mostrando que Portugal tem talento e visão para liderar a inovação no setor.
Como é que o banco está a evoluir para apoiar uma agricultura que é cada vez mais tecnológica e menos convencional?
O Crédito Agrícola tem vindo a desenvolver a sua oferta de financiamento e a complementá-la com capital, por forma a adaptar os instrumentos financeiros que disponibiliza às necessidades dos projetos agrícolas e respetivos promotores. Estamos a reforçar o nosso apoio técnico e consultivo, promovendo parcerias com entidades com conhecimento técnico e universidades, para garantir que os nossos clientes têm acesso às melhores ferramentas e conhecimento para uma agricultura moderna e sustentável, como são exemplo as iniciativas de agricultura regenerativa que promovemos.
Muitas vezes, a inovação demora a dar lucro. Qual é a estratégia do banco para apoiar o investimento em novas tecnologias que exigem um fôlego financeiro diferente?
Reconhecemos que a inovação exige tempo e investimento, por isso, além de disponibilizarmos as linhas de financiamento de apoio ao investimento e inovação, também disponibilizamos acesso a capital, próprio e através de parcerias estabelecidas com venture capital e outros investidores. Além disso, tentamos acompanhar os nossos clientes na concretização dos seus projetos para mitigar riscos e potenciar o seu sucesso.
Além do apoio financeiro, de que forma é que iniciativas como este Prémio reforçam o papel do banco como um consultor e dinamizador do ecossistema rural nacional?
O Prémio não só distingue a inovação como fomenta a partilha de conhecimento e a criação de redes entre empreendedores, investigadores e entidades do setor. Através destas iniciativas, o banco assume-se como parceiro estratégico, promovendo o desenvolvimento de competências, a transferência de tecnologia e a dinamização do ecossistema rural, muito para além do simples apoio financeiro.
O que considera ser necessário fazer para que o valor acrescentado pela inovação à nossa agricultura fique em Portugal e beneficie as nossas comunidades?
É fundamental apostar na formação e na capacitação dos nossos agricultores, incentivar a ligação entre produtores, universidades e empresas tecnológicas, e criar condições para que as ideias inovadoras possam ser testadas e implementadas localmente. O reforço do investimento em infraestruturas e o apoio à internacionalização dos nossos produtos também são essenciais para garantir que o valor gerado permanece e faz crescer as nossas comunidades.
Que mensagem de confiança deixa aos empresários e empreendedores do setor que, perante a incerteza económica, continuam a investir na terra e na inovação?
Quero deixar uma mensagem de esperança e reconhecimento. Apesar dos desafios, acredito firmemente no potencial do setor agrícola português. O Crédito Agrícola estará sempre ao lado dos que ousam inovar, oferecendo apoio, orientação e soluções adaptadas, porque juntos conseguiremos construir um futuro mais forte e sustentável para a nossa agricultura.
Se tivesse à sua frente um jovem com uma ideia inovadora para o setor agrícola, mas com medo de arriscar, que palavra de confiança lhe daria em nome do Crédito Agrícola?
Diria que o futuro do setor depende da coragem de quem está disposto a inovar. O Crédito Agrícola acredita nos jovens talentos e está disponível para apoiar, aconselhar e caminhar lado a lado com quem tem ideias disruptivas. O risco faz parte do processo, mas é também o caminho para o progresso.
Um júri multidisciplinar
O júri da 12.ª edição do Prémio Empreendedorismo e Inovação do Crédito Agrícola reúne especialistas de referência do setor agrícola, da inovação tecnológica e da sustentabilidade, assegurando uma avaliação rigorosa e equilibrada dos projetos concorrentes.
Elementos-base
Licínio Pina | Crédito Agrícola (presidente do júri)
Simão Soares | P-BIO – Associação Portuguesa de Bioindústria
Sílvia Garcia | ANI – Agência Nacional de Inovação
José Vale | IAPMEI – Agência para a Competitividade e Inovação
Nuno Canada | INIAV – Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária
Nuno Serra | CONFAGRI – Confederação Nacional das Cooperativas Agrícolas e do Crédito Agrícola de Portugal
Luís Mira | CAP – Confederação dos Agricultores de Portugal
Maria João Fernandes | PERIN – Delegada e Ponto de Contacto Nacional do Horizonte Europa
Maria Custódia Correia | Rede Nacional PAC, DGADR
Jurados adicionais
Além dos jurados de base, o júri do concurso integrou ainda um elemento adicional, diferenciado para cada categoria:
Novas Tecnologias na Produção Agrícola:
Gonçalo Santos Andrade | Portugal Fresh
Filipa Saldanha | Diretora de Sustentabilidade do Crédito Agrícola
Resiliência de Pequenos Agricultores e Comunidades Rurais:
Márcia Mendes | Minha Terra
Luís Mira da Silva | CONSULAI
Conservação dos Ecossistemas Florestais:
António Gonçalves Ferreira | UNAC – União da Floresta Mediterrânica
Paula Guimarães | The Navigator Company
Inovação na Cadeia de Valor:
Pedro Queiroz | FIPA – Federação das Indústrias Portuguesas Agro-Alimentares
Ondina Afonso | Grupo Sonae