A 12.ª edição do Prémio Empreendedorismo e Inovação do Crédito Agrícola distinguiu, na categoria “Inovação na Cadeia de Valor”, o projeto CellBlue, uma iniciativa que aposta no desenvolvimento de produtos alimentares à base de células de polvo. A proposta coloca Portugal na linha da frente de uma nova fronteira da biotecnologia alimentar azul, num momento em que os recursos marinhos estão cada vez mais ameaçados.
O projeto visa desenvolver quatro produtos inovadores que replicam a textura, o sabor, o aroma e o perfil nutricional do braço de polvo, recorrendo a uma abordagem híbrida que combina biotecnologia com ingredientes vegetais e marinhos. O polvo, espécie altamente valorizada, enfrenta forte pressão devido à sobrepesca, agravada pela impossibilidade de criação em cativeiro. É neste enquadramento que o desenvolvimento de alimentos à base de células de polvo surge como alternativa tecnológica com potencial transformador.
Ambição de criar um produto híbrido
“Uma das grandes inovações que temos é começar pelo fim”, afirma Vítor Verdelho, responsável pelo projeto. O CellBlue integra a cadeia de valor desenvolvida pela Cell4Food, que começa com o desenvolvimento de linhas celulares, passa pela otimização de meios de cultura, pela produção em biorreatores e culmina na aplicação das células em produtos alimentares. No caso do CellBlue, as diferentes fases decorrem em paralelo, permitindo ajustar desde cedo as características da biomassa celular às exigências do produto final.
O modelo de negócio é assumidamente business to business. A empresa não pretende produzir em escala industrial, mas sim desenvolver protótipos que permitam às grandes empresas licenciar a tecnologia e avançar para a produção. O público-alvo são, assim, operadores com capacidade instalada e acesso ao mercado. O principal fator diferenciador reside na ambição de criar um produto híbrido que incorpore efetivamente células de polvo, sem necessidade de capturar ou abater o animal. “Com células de polvo, sem ter de matar nenhum polvo, produzimos essas células e depois incorporamos um alimento final que tem a forma, tem o sabor, tem a textura, tem o aroma do polvo”, explica Vítor Verdelho.