Maioria sublinha reconhecimento de sinais positivos, oposição ataca mais austeridade

Portugal passa em mais um exame da troika. Para os partidos da coligação, os credores externos já assumem um momento positivo da economia nacional. Para os partidos da oposição, tudo não passa de um reforço da austeridade.
Diogo Cavaleiro 16 de Dezembro de 2013 às 20:06

Mais uma avaliação ao programa de ajustamento da troika, mais uma nota positiva, mais duas visões opostas sobre essa classificação. Maioria e oposição voltam a fazer leituras distintas de mais um passo de Portugal.

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Foi pela voz do vice-primeiro-ministro que o país soube ter recebido a aprovação na décima avaliação ao programa de ajustamento económico nacional. Já só faltam mais duas avaliações para terminar o programa de resgate.

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Nesta revisão, o Governo disse ter garantido, à troika, que o ajustamento salarial já foi feito no país, tanto a nível dos privados como do sector público. Sobre a austeridade, no comunicado a esta avaliação, a troika voltou a avisar para riscos advindos de um eventual chumbo do Tribunal Constitucional a medidas constantes no Orçamento do Estado. Contudo, tanto Portas como a ministra das Finanças fugiram das questões em torno de medidas alternativas a possíveis chumbos.

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Em relação ao desempenho da economia, segundo disse Paulo Portas na conferência de imprensa, os sinais ténues de crescimento estão a tornar-se mais coerentes.

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Maioria fala em sinais positivos

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A maioria parlamentar, PSD e CDS-PP, decidiu pegar nesse reconhecimento para reagir à avaliação. Tanto o social-democrata Marco António Costa como o centrista Hélder Amaral sublinharam essa ideia.

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“Os credores deram hoje sinal de que também começam a ver sinais ténues de crescimento económico”, disse o deputado do CDS.

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“Esta avaliação positiva por parte da troika tem uma componente que, para nós, é muito importante. As três entidades que compõem a troika (Fundo Monetário Internacional, Comissão Europeia e Banco Central Europeu) reconheceram os sinais positivos que a nossa economia apresenta”, declarou o antigo secretário de Estado.

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Sem euforias e razões para festejar, Marco António Costa quis, contudo, evidenciar que há motivos para os portugueses estarem “optimistas”. Por seu trono, Amaral sublinhou que “os esforços dos portugueses têm sido recompensados”.

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Oposição fala em sinais negativos

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A leitura é totalmente distinta no lado esquerdo do espectro político. O Partido Socialista, pela voz de Eurico Brilhante Dias, diz que a “avaliação é positiva [mas] a austeridade continua”. Para o maior partido da oposição, confirma-se a trajectória já delineada.

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“O décimo exame regular termina como terminou o nono. Em 2014, os portugueses vão sofrer cortes nas pensões, cortes nos salários e cortes no Estado social", sublinhou Brilhante Dias.

 

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Para o PCP, “a avaliação é positiva mas para interesses que não são os dos portugueses”. Na perspectiva da troika (Comissão Europeia, Fundo Monetário Europeu e Banco Central Europeu), esta avaliação é positiva porque, segundo Jerónimo de Sousa, “conseguiu que este Governo continuasse a executar o pacto de agressão política, de saque aos trabalhadores e pensionistas, e de transferência de lucros para as grandes fortunas nacionais e estrangeiras”.

 

O Bloco de Esquerda também atacou a avaliação da troika e, mais a fundo, a todo o programa. “O que os portugueses esperavam era um efectivo ajustamento orçamental. Mas o maior programa de austeridade da nossa história redundou no maior aumento de dívida pública da história do nosso País”, criticou o antigo deputado José Gusmão. 

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