Gouveia e Melo anuncia que vai votar "útil" em Seguro na segunda volta das presidenciais
O ex-candidato presidencial Gouveia e Melo anunciou esta quinta-feira que vai votar "útil" em António José Seguro na segunda volta das eleições presidenciais, considerando que o adversário, André Ventura, procura sobretudo afirmar-se como alternativa governativa.
"Avaliando o posicionamento dos candidatos, e na convicção de que um se procura afirmar sobretudo como alternativa governativa, o meu voto útil será no doutor António José Seguro", escreve Henrique Gouveia e Melo, numa nota que enviou à agência Lusa.
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Gouveia e Melo, que se candidatou a Presidente da República sem o apoio de qualquer partido, ficou em quarto lugar na primeira volta das eleições presidenciais, no passado dia 18. O ex-chefe do Estado-Maior da Armada obteve 12% dos votos, tendo ficado atrás de António José Seguro (31%), André Ventura (23%) e Cotrim Figueiredo (16%), mas à frente de Marques Mendes (11%).
No texto em que fundamenta o seu sentido de voto na segunda volta das eleições presidenciais, o almirante na reserva nunca escreve o nome do líder do Chega, André Ventura, e só por uma vez se refere a António José Seguro.
Gouveia e Melo considera que está a deixar aos portugueses que confiaram em si "como candidato independente" um contributo "para uma escolha consciente e esclarecida".
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"Nesta segunda volta, assumo, com sentido de responsabilidade, a minha opção de voto, que encaro como um voto útil ao serviço de Portugal. Faço-o com a mesma coerência democrática que sempre defendi: uma Presidência suprapartidária, moderada, focada na estabilidade institucional e no interesse nacional --- e não em agendas partidárias ou ambições futuras", sustenta.
Neste contexto, refere-se depois à atual conjuntura internacional, considerando que se vive "um momento exigente".
"A ordem internacional baseada em regras está sob ameaça. Países como Portugal, pequenos, mas com relevância estratégica, não podem ficar reféns da lógica da força. Precisamos de um alinhamento atlântico e europeu firme, mas também de autonomia, pensamento crítico e capacidade própria", adverte.
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No plano da Defesa, segundo o ex-chefe do Estado-Maior da Armada, não se pode "improvisar nem repetir erros do passado".
"Temos de aprender com a guerra na Ucrânia, investir em tecnologia do século XXI, fortalecer a indústria nacional e recusar soluções ultrapassadas que drenam recursos públicos sem reforçar verdadeiramente as capacidades do país", defende.
Em relação à conjuntura nacional, Gouveia e Melo afirma ser "preocupante o crescimento do radicalismo e da polarização na sociedade portuguesa, alimentados por incapacidades e desresponsabilização política, por desigualdades persistentes, falta de oportunidades, dificuldades sociais profundas, falsas perceções propagadas nas redes sociais e nos media, e por uma justiça lenta que mina a confiança dos cidadãos".
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"O extremar das posições não nasce do acaso: nasce do sentimento de abandono, da perceção de injustiça e da incapacidade da política em responder aos problemas reais das pessoas. Assisto, com preocupação, ao empobrecimento do debate político e ao afastamento crescente de muitos cidadãos da democracia", acrescenta.
Na primeira volta das eleições presidenciais, após terem sido divulgados os resultados, Gouveia e Melo assumiu que a votação que obteve ficou aquém dos objetivos que traçou, mas adiantou que irá manter uma "participação cívica".
"Os resultados ficaram aquém dos objetivos que tracei. Assumo os resultados com serenidade e com respeito absoluto pela vontade dos portugueses", declarou.
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Deixou ainda a seguinte nota: "Depois de 45 anos a servir Portugal, posso afirmar com clareza que o país continuará a contar comigo, com a minha participação cívica e com o meu empenho na defesa dos valores que sempre me orientaram".
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