Guterres teme que novos ataques no Irão desencadeiem retoma total do conflito
O secretário-geral da ONU, António Guterres, alertou esta quarta-feira que ataques mais amplos registados esta semana no Médio Oriente podem desencadear a retoma total do conflito.
Num debate de alto nível do Conselho de Segurança da ONU intitulado "Avançar a Paz no Médio Oriente: Mediação e Diálogo para uma Paz Duradoura", Guterres afirmou que o cessar-fogo em vigor entre o Irão, Estados Unidos e Israel "assemelha-se mais a um fogo menor".
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"Na região do Golfo, o cessar-fogo assemelha-se mais a um fogo menor, como vimos com a escalada dos ataques e da retórica nas últimas 48 horas. E não devemos minimizar os riscos de um fogo menor se transformar em fogo total, ou, por outras palavras, em guerra total", alertou.
Os Estados Unidos atacaram de novo o Irão nas últimas horas com vários mísseis depois de um helicóptero norte-americano ter sido atingido por um drone perto do estreito de Ormuz, que Teerão diz ser parte das águas territoriais.
Os novos ataques ocorreram apesar de o Presidente norte-americano, Donald Trump, ter afirmado na madrugada de terça-feira que poderia chegar a um acordo com o Irão em "dois ou três dias", mais um prazo apresentado após várias semanas de negociações com a República Islâmica.
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Guterres apelou hoje a todas as partes para que honrem o cessar-fogo e redobrem os esforços para alcançar um acordo duradouro.
O líder da ONU assinalou que civis e infraestruturas civis têm sido atacados em vários países e frisou que as ameaças à soberania nacional e à integridade territorial constituem violações do direito internacional.
Ao mesmo tempo, as restrições aos direitos e liberdades de navegação no Estreito de Ormuz e nos seus arredores estão a causar dificuldades e instabilidade em todo o mundo, levando ao aumentando os preços da energia e interrompendo as cadeias de abastecimento, assinalou ainda Guterres, sublinhando que tudo isto está a levar ao agravamento da fome em vários locais do planeta.
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"O Médio Oriente está a ser arrastado para uma crise cada vez mais profunda -- e as consequências vão muito para além da região. (...) Mesmo no melhor cenário, estes impactos far-se-ão sentir durante muitos meses, sendo os países em desenvolvimento os mais afetados", disse, num debate presidido por Gustavo Petro, Presidente da Colômbia, país que detém a presidência rotativa do órgão este mês.
O ex-primeiro-ministro português lamentou as mortes em locais como Líbano, em Gaza e no Irão, assim como as consequências que estão a ser suportadas "pelos povos da região".
Neste sentido, instou todas as partes a esforçarem-se por uma paz duradoura no Médio Oriente.
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"No que respeita ao Médio Oriente, exorto este Conselho a usar toda a sua influência em prol da solução de dois Estados, o único caminho para uma paz justa e duradoura na região. Não há alternativa. E não há tempo a perder", declarou.
O chefe das Nações Unidas insistiu que chegou a hora de explorar uma nova arquitetura de segurança para o Golfo, baseada no respeito à soberania e à integridade territorial de todos os Estados, na não interferência em assuntos internos e no fortalecimento da cooperação multilateral.
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