Trump e tecnologia levam Wall Street ao vermelho. Super Micro afunda 28%

Os números animadores da inflação não foram suficientes para impulsionar os índices norte-americanos, que voltaram a ser penalizados por um "sell off" das tecnológicas e pela intensificação do conflito no Médio Oriente.
Wall Street
Richard Drew / Associated Press
Pedro Barros Costa 21:22

O aumento das tensões geopolíticas, com o surgimento de novos confrontos entre os EUA e o Irão nos últimos dias, penalizou as ações em Wall Street, que fecharam no vermelho, também pressionadas pela queda das cotadas do setor da tecnologia.

Entre os principais índices, o S&P 500 cedeu 1,61% para 7.267,65 pontos, atingindo um mínimo de cinco semanas. Já o tecnológico Nasdaq perdeu 1,98% para 25.169,25 pontos e o industrial Dow Jones recuou 1,87% para 49.919,09 pontos, enquanto um indicador das empresas de semicondutores caiu cerca de 4%.

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A pressão sobre as ações intensificou-se a meio da sessão, depois de o Presidente dos EUA, Donald Trump ter prometido voltar a atacar o Irão esta quarta-feira, continuando a  retaliação iniciada no dia anterior depois de os iranianos terem abatido um helicóptero norte-americano.

“Atingimo-los com força ontem, vamos voltar a atingi-los com força hoje”, garantiu o Presidente norte-americano em declarações aos jornalistas na Casa Branca. Na mesma ocasião, instou os iranianos a assinarem o acordo de paz, dizendo que as partes em conflito “estão muito próximas”, mas que o Irão continua a adiar o entendimento.

“Os investidores contavam com um rápido acordo de paz no Médio Oriente”, refere Bret Kenwell, da eToro, à Bloomberg. “O problema é que, quanto mais tempo demorar a encontrar uma resolução, mais provável é os preços do petróleo continuarem elevados. E quanto mais os preços da energia continuarem elevados, mais persistente pode ficar a inflação”, assinala.

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Apesar disso, os números da inflação conhecidos esta quarta-feira trouxeram um certo alívio aos investidores. Embora o índice de preços no consumidor (IPC) tenha acelerado para o nível mais elevado em três anos, o indicado subjacente – que exclui as categorias mais voláteis da energia e alimentação – subiu menos que o esperado.

“É muito possível que as coisas se resolvam no Médio Oriente e que as expedições voltem ao normal ao longo do resto do ano, e nesse caso poderemos ver a inflação abrandar ao longo do tempo e a Fed poderá não aumentar as taxas”, refere Chris Zaccarelli, da Northlight Asset Management. “Mas se as coisas se mantiverem como estão, todas essas apostas estão excluídas.”

De acordo com a ferramenta FedWatch da CME, os mercados monetários estão atualmente a incorporar uma probabilidade de 98,2% de que a Fed mantenha a sua taxa de juro diretora inalterada na reunião da próxima semana. Os investidores veem agora uma probabilidade de aproximadamente 38,5% de um aumento da taxa até à reunião da Fed em outubro e de 42,5% em dezembro.

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Do lado da tecnologia, as atenções centram-se nas contas da Oracle, que divulga esta quarta-feira os resultados do quarto trimestre fiscal de 2026. A empresa, vista como um barómetro para o setor da IA, recuou 1,5%.

Já a Super Micro Computer afundou 28%, depois de ter revelado que pretende captar sete mil milhões de dólares através da emissão de novas ações. O objetivo é angariar capital para adquirir os componentes necessários para cumprir com as encomendas de servidores de inteligência artificial.

 

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