"Governo mostrou insensibilidade e impreparação para gerir esta crise", acusa José Luís Carneiro
Seguro cancela campanha da manhã para voltar sozinho a zonas afetadas
Forças Armadas no terreno com pessoal, infraestruturas e meios para apoiar populações
Mais de 290 mil clientes da E-Redes sem energia
Comissário europeu na Marinha Grande em visita a áreas afetadas
Linhas ferroviárias do Norte, Douro, Beira Baixa e Oeste ainda com interrupções
"Governo mostrou insensibilidade e impreparação para antever e gerir esta crise", diz José Luís Carneiro
O secretário-geral do Partido Socialista afirmou hoje que "o Governo mostrou insensibilidade e impreparação para antever e gerir esta crise". Em declarações no Largo do Rato, José Luís Carneiro referiu que o problema já "tinha acontecido no apagão, aconteceu nos incêndios e aconteceu agora".
Com muitas pessoas a viverem "momentos de grande sofrimento", Carneiro critica atrasos em toda a linha, a começar até antes de a tempestade Kristin chegar a Portugal.
Apesar dos avisos do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), "a Proteção Civil só decretou nível máximo de estado de prontidão nível 4 a menos de 12 horas da passagem da frente mais ativa desta depressão, o que manifestamente foi tarde e em cima da hora para se preparar uma resposta reforçada".
E continuou: "Não houve reunião da Comissão Nacional de Proteção Civil, nem antes nem durante nem depois da passagem da depressão. Ou seja, como aconteceu noutros momentos críticos, não existiu a coordenação política interministerial prevista no sistema de Proteção Civil, o que teria permitido a devida articulação e até ativação do plano de cooperação reforçada do Ministério da Administração Interna e do Ministério da Defesa Nacional". Se tal tivesse sido feito, teria sido possível, por exemplo, ativar meios de comunicação e meios para garantir a segurança na circulação rodoviária, disse.
"A declaração da situação de calamidade foi tardia" e a "comunicação de crise tem faltado", criticou o socialista.
Seguro cancela campanha da manhã para voltar sozinho a zonas afetadas
O candidato presidencial António José Seguro cancelou hoje a agenda de campanha que tinha prevista para esta manhã para voltar a ir visitar, sozinho, zonas afetadas pela tempestade Kristin, deslocações que já fez na quarta e quinta-feira.
"Tal como na quarta e na quinta-feira, o candidato visitará, sozinho, zonas afetadas. O programa da manhã foi cancelado", adiantou a candidatura de Seguro à comunicação social.
Para esta manhã, o candidato apoiado pelo PS tinha prevista uma visita ao Centro de Formação Profissional da Indústria do Calçado, em São João da Madeira, distrito de Aveiro.
Na quinta-feira, Seguro anunciou aos jornalistas, de manhã, que já na véspera tinha ido sozinho à região de Leiria para ver os impactos da passagem da tempestade, tendo então dito que tinha ficado "chocado e impressionado" com o grau de devastação que encontrou.
De tarde, após uma visita em Palmela, o candidato mais votado na primeira volta disse que admitiria voltar nesse dia a visitar zonas afetadas, de novo sozinho, face à "situação dramática".
Outros dos impactos que teve na campanha de Seguro a passagem desta tempestade foi o cancelamento de uma sessão de campanha prevista para quinta-feira à noite em Almeirim, no distrito de Santarém, devido à tempestade que afetou a região e ativou planos de emergência no distrito.
Na quinta-feira, entre as 00:00 e as 23:59, Portugal continental tinha registado 2.050 ocorrências relacionadas com o mau tempo, com Coimbra, Oeste e Leiria a serem as regiões mais afetadas, adiantou fonte da Proteção Civil.
Num balanço à Lusa, fonte da ANEPC referiu que Coimbra foi a região mais afetada com 375 ocorrências, seguida do Oeste (221) e Leiria (201).
A passagem da depressão Kristin por Portugal continental, na quarta-feira, deixou um rasto de destruição, causando pelo menos cinco mortos, segundo a Proteção Civil, vários feridos e desalojados. A Câmara da Marinha Grande contabiliza ainda uma outra vítima mortal no concelho.
Quedas de árvores e de estruturas, corte ou o condicionamento de estradas e serviços de transporte, em especial linhas ferroviárias, fecho de escolas e cortes de energia, água e comunicações foram as principais consequências materiais do temporal.
Leiria, por onde a depressão entrou no território, Coimbra e Santarém são os distritos que registam mais estragos.
O Governo decretou situação de calamidade entre as 00:00 de quarta-feira até às 23:59 de dia 01 de fevereiro para cerca de 60 municípios, número que pode aumentar.
Forças Armadas no terreno com pessoal, infraestruturas e meios para apoiar populações
No seguimento da passagem da depressão Kristin pelo território continental, as Forças Armadas, em estreita coordenação com a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil, têm "disponibilizado pessoal, infraestruturas e meios, para apoio às populações afetadas".
Em comunicado, salientam o fornecimento pelo Exército de alojamento e alimentação para 34 refugiados ucranianos (15 crianças e 19 viúvas de guerra) no Regimento de Transportes, em Lisboa; dois destacamentos de engenharia do Exército em limpeza de itinerários.
Estão também a disponibilizar geradores, assim como máquinas de engenharia da Força Aérea, para a Base Aérea 5 (Monte Real) que, após os trabalhos dentro da unidade, apoiarão autarquias e ainda "kits" de mobilidade, como tendas para pessoas e fornecimento de alimentação.
Além dos apoios referidos, as Forças Armadas indicam estarem também "a concentrar esforços na recuperação de infraestruturas e de serviços essenciais em unidades militares afetadas, com especial incidência na região Centro (Leiria, Monte Real, Porto de Mós, Tancos, Abrantes e Marinha Grande).
Mais de 290 mil clientes da E-Redes sem energia
Mais de 290 mil clientes da E-Redes continuavam às 06:30 horas de sexta-feira sem fornecimento de energia em Portugal continental, na sequência dos danos provocados pela depressão Kristin na rede elétrica, na quarta-feira, informou a empresa.
Segundo informação enviada à agência Lusa, o distrito de Leiria continuava a ser a zona mais afetada com cerca de 221 mil clientes afetados.
No distrito de Leiria, o mais afetado pela passagem da depressão Kristin, a E-Redes ativou o "estado de emergência", tendo ali instalados 30 geradores e estando a ser mobilizados mais cerca de 200.
A passagem da depressão Kristin por Portugal continental, na quarta-feira, deixou um rasto de destruição, causando pelo menos cinco mortos, segundo a Proteção Civil, vários feridos e desalojados. A Câmara da Marinha Grande contabiliza ainda uma outra vítima mortal no concelho.
Comissário europeu na Marinha Grande em visita a áreas afetadas
O comissário europeu da Energia e Habitação, Dan Joergensen, desloca-se esta sexta-feira à Marinha Grande (Leiria) com o ministro da Presidência, numa visita às áreas afetadas.
Joergensen acompanha António Leitão Amaro numa "visita às áreas afetadas do concelho", que arranca às 10:15 na Câmara Municial da Marinha Grande, e que conta também com a presença da ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, de acordo com a agenda do ministro da Presidência, divulgada hoje.
Na quinta-feira, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, escreveu na rede social X que Dan Joergensen, estaria em "Portugal para colaborar com as autoridades, que continuam a avaliar a dimensão total dos danos", numa visita que já estava prevista - focada nos temas do alojamento acessível e das interligações - e que incluirá agora esta dimensão.
Na quarta-feira, através da mesma rede social, Dan Joergensen indicou que o executivo comunitário está disponível para prestar apoio, bem como em "contacto estreito" com as autoridades em Portugal e com a Rede Europeia de Operadores de Redes de Transporte de Eletricidade devido aos cortes resultantes da tempestade.
Leitão Amaro, lê-se ainda na nota divulgada, desloca-se às 12:30 ao Hospital de Leiria, às 14:00 ao Hospital da Figueira da Foz, e, duas horas depois, vai estar em Meirinhas, município de Pombal, para uma "visita às áreas afetadas do Parque Industrial".
Linhas ferroviárias do Norte, Douro, Beira Baixa e Oeste ainda com interrupções
A circulação ferroviária em vários troços das Linhas do Norte, Douro, da Beira Baixa, do Oeste, Urbanos de Coimbra e Serviço Regional entre Coimbra B e Entroncamento estava às 06:50 horas suspensa na sequência da tempestade de quarta-feira.
Após dois dias com centenas de situações provocadas pela depressão Kristin, hoje de madrugada, não foram registadas "ocorrências significativas", de acordo com a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), em declarações à agência Lusa pelas 06:30.
Na sua página na rede social Facebook, a CP indica que devido à passagem da depressão Kristin pelo território continental a circulação nas Linhas do Douro, entre a Régua e Pocinho, a Linha da Beira Baixa, entre Ródão e Castelo Novo e a Linha do Oeste continuam suspensas.
De acordo com a CP, estão igualmente suspensos os comboios Urbanos de Coimbra, entre Coimbra B e Alfarelos, o Serviço Regional entre Coimbra B e o Entroncamento e a Linha do Norte, entre Porto e Lisboa, para os comboios de longo curso.
Na nota, a CP adianta que na quinta-feira à noite foi retomada a circulação ferroviária na Linha da Beira Baixa, mas apenas para o serviço regional no troço Covilhã-Guarda.
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