Magnatas franceses: "Altos, mas não tão altos"

Impostos mais altos para os mais ricos. Ideia que partiu de um grupo de magnatas franceses que agora rejeita a medida e ameaça sair do país.
09 de Outubro de 2012 às 17:20

Em 2011 um grupo constituído por alguns dos mais influentes empresários e executivos franceses, decidiu assinar uma petição onde pedia um aumento de impostos.

O grupo, constituído pelo director da Air France-KLM e Société Générale, o herdeiro da L’Oreal entre outros, apelava ao aumento dos impostos para os mais ricos justificando que “quando o défice das finanças públicas e as perspectivas de uma deteorização do estado da dívida ameaçam o futuro de França e da Europa, e quando o governo pede a todos que sejam solidários, parece-nos necessário contribuir”, numa carta ao governo citada pelo “The New York Times”.

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François Hollande, presidente francês, concordou com o apelo feito e decidiu aumentar os impostos, propondo uma taxa marginal de 75% sobre rendimentos acima de 1,3 milhões de euros. As taxas marginais sobre ganhos de capital poderão ascender aos 60%.

A medida não pareceu agradar. Alguns dos magnatas que assinaram a petição inicial, entre outros, não concordam com tamanha subida dos impostos.

Jean-Paul Agon, chairman e presidente da L’Oreal (que assinou a petição) afirma que esta subida de impostos foi muito acima do que era esperado e que a manter-se assim irá prejudicar a economia do país.

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Stéphane Richard da France Telecom e François-Henri Pinault, chairman e presidente da PPR, empresa detentora da Gucci e Yves Saint Laurent também estão contra esta medida.

Bernard Arnault, presidente da LVHM foi mais longe e recentemente, avançou com um pedido para obter a nacionalidade belga, o que provocou um tumulto nos meios de comunicação. O jornal de esquerda “Liberation” fez uma publicação com o título “Vai-te Lixar”, onde se podia observar a cara do presidente da LVHM. O jornal enfrenta agora um processo judicial sobre difamação.

Arnault já veio dizer que não pretende abandonar o país devido às novas medidas fiscais e admitiu que irá cumprir as suas “obrigações” como residente francês acrescentando que França deve “contar com todos” para fazer face à crise económica, segundo o jornal norte-americano.

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Toda a revolta nos jornais e nos media tem vindo a pressionar Hollande que já anunciou que a medida só vai ser imposta durante dois anos. Na semana passada, Jérôme Cahuzac , ministro do Orçamento, veio a público dizer que a medida não deverá afectar start-ups e que foi um “erro”.

A receita marginal resultante do aumento do imposto estima-se que será de apenas 300 milhões de dólares (cerca de 231 milhões de euros), o que, de acordo com o jornal nova-iorquino, é uma medida mais populista que matemática.

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