Voos podem ser cancelados em breve. AIE alerta que Europa "só tem 'jet fuel' para seis semanas"
As companhias aéreas podem ser forçadas a estacionar os seus aviões. O líder da Agência Internacional de Energia (AIE) alerta, em entrevista à Associated Press, que a Europa "tem jet fuel para aguentar seis semanas".
Fatih Birol admite que as reservas de jet fuel se têm vindo a esgotar nas últimas semanas, à medida que o estreito de Ormuz continua bloqueado e a impedir a travessia de barris de combustível para o setor da aviação. Agora, o diretor executivo pinta mesmo um cenário preocupante: "A Europa só tem reservas de jet fuel para, talvez, seis semanas".
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O responsável pela agência da energia reconhece ainda que esta é "a maior crise energética que já enfrentámos", uma vez que tem levado a um aumento expressivo do preço dos combustíveis e de várias máterias-primas. “No passado, existia o grupo 'Dire Straits' [situação perigosa e desesperante]. Agora, a situação é realmente crítica e terá grandes implicações para a economia global. E quanto mais tempo durar, pior será para o crescimento económico e para a inflação", adiantou na mesma entrevista.
Assumindo que o impacto já começou a chegar a alguns países, nomeamente na Ásia, Fatih Birol diz que a Europa e as Américas estão a um passo de o sentir também. Atualmente há voos já a serem cancelados na China.
E o líder da AIE adianta ainda que se o estreito de Ormuz não reabrir brevemente, "posso dizer que, em breve, ouviremos notícias de que alguns voos da cidade A para a cidade B poderão ser cancelados devido à falta de jet fuel". Neste momento, e com a incerteza de um acordo a pairar no ar, Birol dá uma garantia: "todos vão sofrer", uma vez que "não há país que esteja imune a esta crise".
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Em situações de emergência, os pilotos têm de dizer aos passageiros: "preparem-se para o impacto". Hoje, os dois lados estão a preparar-se para o impacto. Há companhias europeias que já estão a cancelar alguns voos, de forma a conseguirem reduzir os custos com o combustível, enquanto os passageiros têm de, se quiserem voar, desembolsar uma quantia maior para cobrir parte dos custos.
O grupo Lufthansa, na corrida à compra da TAP, é um deles. O grupo alemão anunciou o encerramento da filial CityLine, apontando o dedo aos custos do querosene, por causa da guerra no Médio Oriente, e dos encargos com as greves sentidas. "Como efeito imediato, os 27 aviões operacionais da Lufthansa CityLine serão definitivamente retirados para reduzir as perdas desta companhia aérea deficitária", explicou o grupo liderado por Carsten Spohr.
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Outro candidato à TAP, a KLM, do grupo Air France-KLM, indicou que irá operar, no próximo mês, menos 160 voos de e para o aeroporto de Schipol, em Amesterdão, devido ao aumento dos custos de combustível. A KLM apontou que esta decisão “diz respeito a um número limitado de voos dentro da Europa que, devido ao aumento dos custos do combustível, atualmente já não são financeiramente viáveis para operar”.
Já a britânica easyJet veio alertar para um prejuízo superior ao estimado nos primeiros seis meses do ano. As perdas poderão agora ascender aos 644 milhões de euros, com os custos do jet fuel a terem um peso de 28,7 milhões de euros.
A easyJet caiu 4,96% na praça londrina para 371,6 libras esterlinas, tendo mesmo chegado a despenhar-se mais de 9% no arranque da sessão. O grupo alemão encerrou a sessão a sofrer uma queda de 3,43% para 7,55 euros.
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Fatih Birol, diretor executivo da Agência Internacional de Energia
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