Maria Luís Albuquerque defende UE a pensar mais na união do que na diversidade
A comissária europeia Maria Luís Albuquerque defendeu este sábado no Porto que a União Europeia (UE) deve focar-se mais em estar unida do que na diversidade face aos desafios que enfrenta.
"Em momentos como o que atravessamos, eu julgo que é importante focarmos mais no unidos do que na diversidade", afirmou a comissária europeia na sua intervenção na sessão solene comemorativa dos 40 Anos de Portugal na Europa, que decorreu na Câmara Municipal do Porto.
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Em declarações depois da sessão, Maria Luís Albuquerque refutou que a sua afirmação possa ser entendida como a defender uma UE de portas fechadas à imigração.
"Não era de todo, a questão da diversidade tem a ver com o facto de nós sermos estados-membros diferentes e frequentemente essa diversidade cultural, histórica, de posicionamento geográfico serve como argumento para não trabalharmos mais em conjunto e para não aproveitarmos melhor o conjunto dos nossos recursos. É a essa diversidade que eu me refiro, sem qualquer outra conotação, aliás, porque tem a ver com o trabalho que eu estou a tentar fazer de integração dos mercados financeiros", esclareceu a comissária.
E acrescentou: "é esse contexto de diversidade que serve como pretexto para manter a Europa fragmentada entre estados-membros. Para que fique absolutamente claro".
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Na sua intervenção, Maria Luís Albuquerque refletiu sobre o Dia da Europa defendendo que "não é apenas sobre o passado. É, acima de tudo, sobre o futuro".
"E hoje esse futuro exige de nós uma nova ambição. Vivemos num mundo mais incerto, mais competitivo e mais exigente. E a competição já não se faz entre estados-membros, ou não deveria fazer-se já entre estados-membros, faz-se entre grandes blocos económicos, entre sistemas integrados que conseguem mobilizar recursos, investir com escala e afirmar-se globalmente", sublinhou a antiga ministra.
Sobre o "desafio claro" que a "Europa enfrenta", Maria Luís Albuquerque entende que a UE tem o talento, recursos, capacidade de inovação, mas ainda não consegue "transformar plenamente esse potencial em escala e em poder".
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"Continuamos em muitos casos, em demasiados casos, a pensar e a agir como 27 mercados separados, quando o que precisamos é de agir como um só. Criar escala não é um conceito abstrato. É criar as condições para que as nossas empresas possam crescer, inovar e competir globalmente", apontou.
Para a antiga governante, "isso exige uma mudança de mentalidade. Exige pensar mais europeu. Perceber que o que é bom para cada estado-membro é bom para a Europa e que o que fortalece a Europa reforça também cada um dos estados-membro".
Na sua intervenção, o presidente da Câmara do Porto, Pedro Duarte, assinalou que a UE "deve lembrar-se que a força de uma comunidade não está em apagar diferenças, mas em saber organizá-las em torno de valores comuns" que a "diversidade por si só não basta naturalmente. Precisa de instituições, de cultura cívica, de respeito mútuo e de um sentido partilhado de pertença".
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Para o autarca portuense "é hoje claro que o futuro da Europa se joga também nas cidades", defendendo ser nelas "que os cidadãos vivem a mobilidade, a habitação, a segurança, a integração, a educação, a cultura, a inovação, o meio ambiente, o espaço público e a qualidade de vida".
"Quando um jovem estuda fora, através do Erasmus, é numa cidade que constrói novas relações. Quando uma empresa tecnológica escolhe instalar-se na Europa, é num ecossistema urbano que encontra talento, conhecimento e criatividade", salientou Pedro Duarte.
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