Mário Centeno: "A estabilidade política é um ativo precioso nos tempos que correm"

O governador do Banco de Portugal não comenta os resultados das eleições diretamente, mas refere que há "uma ampla variedade de alternativas" para gerir as contas públicas.
Centeno
Mariline Alves
Ricardo Jesus Silva 21 de Maio de 2025 às 11:57

Perante um ciclo de governos de curta duração, Mário Centeno, governador do Banco de Portugal (BdP) não tem dúvidas: "A estabilidade política é um ativo precioso nos tempos que correm". O governador do banco central considera que "não há nada pior para a condição das nossas vidas do que enquadramentos políticos que tomam decisões num dia e voltam para trás no outro". 

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No entanto, Mário Centeno reconhece que existem "várias alternativas possíveis" para gerir as contas públicas, "é só preciso reconhecer o momento em que estão e atuar dentro destas restrições", num aviso ao futuro ministro das Finanças. "Não cabe ao banco central emitir juízos sobre esse debate", acrescenta. 

O governador da autoridade monetária portuguesa salienta a necessidade manter um equilíbrio orçamental no país, até para não voltarmos "a tempos que não queremos recordar", referindo-se ao contexto económico conturbado que levou à chamada da troika a Portugal.

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"Nós não queremos voltar a ver isso enquanto banco central. Isso dificulta a nossa ação e dificulta a vida de todos", observa Mário Centeno. Para o governador, Portugal tem sido um exemplo europeu em termos de estabilidade financeira, beneficiando "de crescimentos nominais na atividade económica, da redução das taxas de juro e saldos positivos orçamentais". 

O antigo ministro das Finanças aproveitou ainda para deixar críticas à administração Trump, utilizando-a como um exemplo de políticas económicas que não devem ser seguidas. "O que temos observado no outro lado do Atlântico é um elencar de como não conduzir políticas económicas. No caso português, deve-se manter um quadro de previsibilidade e estabilidade - que tanto custou aos portugueses conseguir", conclui. 

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