EUA pagam mil milhões para TotalEnergies abandonar projeto de eólicas "offshore"
Nos termos do acordo, a empresa vai renunciar às concessões que tem em águas federais para construir dois parques eólicos. Em troca, a francesa investirá o valor reembolsado em projetos de petróleo e gás nos EUA.
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A Administração Trump vai pagar quase mil milhões de dólares (cerca de 864 milhões de euros à taxa de câmbio atual) à gigante energética francesa Total Energies para a empresa abandonar os seus planos de construção de um parque eólico “offshore” ao largo da costa leste dos Estados Unidos (EUA).
O anúncio, citado pelo The New York Times (NYT), foi feito pelo Departamento do Interior na segunda-feira, 23 de março, durante uma conferência em Houston, no Texas e é mais um passo dado pela Casa Branca que, desde que Donald Trump chegou ao poder, tem procurado suspender vários projetos de construção de eólicas nos EUA, incluindo de empresas europeias como a Orsted.
Nos termos do acordo, a TotalEnergies vai renunciar às concessões que tem em águas federais para construir dois parques eólicos, localizadas ao largo de Nova Iorque e da Carolina do Norte. E o Departamento de Justiça vai reembolsar a energética francesa em 928 milhões de dólares, montante pago pela empresa por estas concessões ainda durante a Administração Biden.
Em troca, a TotalEnergies investirá esse dinheiro em projetos de petróleo e gás nos EUA, incluindo numa instalação no Texas que irá exportar gás natural liquefeito para os mercados globais. A empresa compromete-se, também, a produzir mais petróleo no Golfo do México e afirmou estar a desenvolver algumas centrais elétricas a gás para satisfazer a crescente procura de eletricidade por parte dos centros de dados.
O acordo surge num momento em que a guerra no Médio Oriente tem abalado os mercados globais de petróleo, suscitando preocupações quanto ao abastecimento energético.
O secretário norte-americano do Interior, Doug Burgum, revelou o acordo na segunda-feira na conferência CERAWeek da S&P Global. No mesmo encontro, disse que “a era em que os contribuintes subsidiavam uma energia pouco fiável, inacessível e insegura chegou oficialmente ao fim, e a era da energia acessível, fiável e segura veio para ficar”, cita o NYT.
Já Patrick Pouyanné, diretor executivo da TotalEnergies, classificou o acordo como uma decisão empresarial “pragmática”, sublinhando que “quando a Administração Trump chegou ao poder e começou a definir a política energética dos EUA, afirmámos que teríamos de reconsiderar, claramente, estes projetos de energia eólica offshore”.
Pouyanné Referiu ainda que desde que a TotalEnergies ganhou as concessões em causa, a empresa concluiu que a energia eólica offshore “não era a forma mais acessível de produzir eletricidade” e exigiria subsídios federais que estão agora a ser gradualmente eliminados por Washington. Mas reiterou que, “para ser claro, não renunciamos à energia eólica onshore”.