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EUA pagam mil milhões para TotalEnergies abandonar projeto de eólicas "offshore"

Nos termos do acordo, a empresa vai renunciar às concessões que tem em águas federais para construir dois parques eólicos. Em troca, a francesa investirá o valor reembolsado em projetos de petróleo e gás nos EUA.

TotalEnergies
TotalEnergies Thomas Padilla / AP
24 de Março de 2026 às 11:08

A Administração Trump vai pagar quase mil milhões de dólares (cerca de 864 milhões de euros à taxa de câmbio atual) à gigante energética francesa Total Energies para a empresa abandonar os seus planos de construção de um parque eólico “offshore” ao largo da costa leste dos Estados Unidos (EUA).

O anúncio, citado pelo The New York Times (NYT), foi feito pelo Departamento do Interior na segunda-feira, 23 de março, durante uma conferência em Houston, no Texas e é mais um passo dado pela Casa Branca que, desde que Donald Trump chegou ao poder, tem procurado suspender vários projetos de construção de eólicas nos EUA, .

Nos termos do acordo, a TotalEnergies vai renunciar às concessões que tem em águas federais para construir dois parques eólicos, localizadas ao largo de Nova Iorque e da Carolina do Norte. E o Departamento de Justiça vai reembolsar a energética francesa em 928 milhões de dólares, montante pago pela empresa por estas concessões ainda durante a Administração Biden.

Em troca, a TotalEnergies investirá esse dinheiro em projetos de petróleo e gás nos EUA, incluindo numa instalação no Texas que irá exportar gás natural liquefeito para os mercados globais. A empresa compromete-se, também, a produzir mais petróleo no Golfo do México e afirmou estar a desenvolver algumas centrais elétricas a gás para satisfazer a crescente procura de eletricidade por parte dos centros de dados.

O acordo surge num momento em que , suscitando preocupações quanto ao abastecimento energético.

O secretário norte-americano do Interior, Doug Burgum, revelou o acordo na segunda-feira na conferência CERAWeek da S&P Global. No mesmo encontro, disse que “a era em que os contribuintes subsidiavam uma energia pouco fiável, inacessível e insegura chegou oficialmente ao fim, e a era da energia acessível, fiável e segura veio para ficar”, cita o NYT.

Patrick Pouyanné, diretor executivo da TotalEnergies, classificou o acordo como uma decisão empresarial “pragmática”, sublinhando que “quando a Administração Trump chegou ao poder e começou a definir a política energética dos EUA, afirmámos que teríamos de reconsiderar, claramente, estes projetos de energia eólica offshore”.

Pouyanné Referiu ainda que desde que a TotalEnergies ganhou as concessões em causa, a empresa concluiu que a energia eólica offshore “não era a forma mais acessível de produzir eletricidade” e exigiria subsídios federais que estão agora a ser gradualmente eliminados por Washington. Mas reiterou que, “para ser claro, não renunciamos à energia eólica onshore”.

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