Pinto Luz: IVA da reabilitação urbana “pode criar disrupções em milhares e milhares de empresas”
“Houve milhares de investidores, aforradores que investiram em reabilitação urbana durante anos e que agora este acórdão vai pôr em causa tudo isso, pode criar, de facto, disrupções em milhares e milhares de empresas que investiram segundo aquelas condições”, disse esta quarta-feira, no Parlamento, o ministro das Infraestruturas e Habitação.
Miguel Pinto Luz respondia a uma questão colocada pelo Chega sobre a questão da aplicação da taxa reduzida de IVA nas obras de reabilitação urbana. Em causa, recorde-se, está o facto de muitas empresas terem aplicado IVA a 6% nos seus projetos, considerando que se lhes aplicaria a taxa reduzida por estarem a trabalhar numa Área de Reabilitação Urbana (ARU) e, posteriormente, a AT ter vindo considerar que não estavam preenchidos todos os requisitos, nomeadamente a existência de uma Operação de Reabilitação Urbana (ORU) aprovada. Esta diferença de entendimentos, entretanto avalizada por um acórdão do Supremo Tribunal Administrativo - ao qual o ministro se referiu - que uniformizou jurisprudência, está a conduzir a muitas inspeções e liquidações adicionais para devolução da diferença da taxa reduzida, de 6%, para a taxa normal, de 23%.
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Numa recente entrevista ao Negócios, no âmbito do podcast Urbanidades, também referida durante a audição parlamentar, o ex-secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, Carlos Lobo, afirmava que muitas pequenas empresas poderão mesmo ter de fechar portas devido ao facto de lhes estarem agora a ser exigidas elevadas quantias para, em sede de liquidações adicionais, pagarem ao Fisco a diferença entre os 6% e os 23%.
Esta questão do IVA na reabilitação urbana, contudo, é anterior ao atual pacote de medidas para a habitação que o Governo está a preparar e que passa, também, por uma aplicação de IVA a 6% quando esteja em causa a construção, para venda ou arrendamento a preços moderados de imóveis destinados a habitação própria e permanente. Neste caso, o facto de haver ou não uma ARU não será relevante.
O ministro, que se encontra numa audição regimental na comissão de Infraestruturas, Mobilidade e Habitação, anunciou ainda que esta quinta-feira os deputados vão receber as propostas do Executivo para as heranças indivisas e para a lei do arrendamento, em concreto relativas aos despejos. “As assimetrias têm de ser revistas, mas estamos disponíveis para falar com todos os grupos parlamentares”, sublinhou.
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No seu discurso inicial da audição, Miguel Pinto Luz garantiu que “os problemas no acesso aos apoios sociais estão maioritariamente ultrapassados”.
O Ministro considera que “continuamos a enfrentar uma crise difícil”, mas salientou que “há sinais de esperança que não podem ser ignorados”. Citando o Confidencial Imobiliário, o governante afirmou que “há um aumento claro do stock de casas para arrendamento” e lembrou que “o crescimento do valor das rendas desacelerou na Área Metropolitana de Lisboa e na do Porto” e que “a renda média pedida caiu entre 2024 e 2025 a nível nacional e na AML”.
“Já a AICCOPN diz-nos que o investimento em construção aumentou 5,5% em 2025 e totalizou 28 mil milhões de euros”, acrescentou, rematando: “Em suma, o mercado está a reagir com confiança. Constrói-se mais, há mais casas para arrendar e o Governo está a fazer a sua parte”.
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