Presidente da República alerta para pobreza infantil e apela à proteção da infância

No dia Mundial da Criança, António José Seguro alerta que nenhuma estratégia de apoio às crianças produzirá os resultados desejados "sem o compromisso ativo de toda a sociedade". Por detrás de cada um caso, "há um rosto, uma infância que é forçada a enfrentar demasiado cedo o peso da adversidade", diz.
António José Seguro, Presidente da República, publicou uma mensagem no Dia Mundial da Criança.
Manuel de Almeida / Lusa - EPA
Lusa 10:23

O Presidente da República, António José Seguro, realçou esta segunda-feira os dados sobre a pobreza infantil em Portugal e apelou à proteção da infância como um dever coletivo, numa mensagem por ocasião do Dia Mundial da Criança.

"Num tempo marcado pelo agravamento das desigualdades e pela crescente exposição das crianças a novos riscos, precisamos de instituições mais articuladas, de comunidades mais próximas, de escolas mais inclusivas, de famílias mais acompanhadas e de uma sociedade mais consciente do dever coletivo de proteger a infância", considera o chefe de Estado.

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Nesta mensagem escrita, publicada no sítio oficial da Presidência da República na Internet, António José Seguro faz referência aos dados sobre a pobreza infantil. Há duas semanas foi divulgado um .

Para o Presidente da República, o Dia Mundial da Criança é uma data de celebração, mas que deve, também, convocar à reflexão sobre o país que se constrói para as novas gerações.

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"Nas últimas semanas fomos confrontados com estatísticas alarmantes sobre a realidade das crianças em Portugal. Sabemos que há crianças que passam fome; crianças privadas de atividades escolares, culturais ou desportivas por falta de recursos; crianças que crescem em contextos de pobreza, negligência, violência ou exclusão; crianças vítimas de abuso sexual e de violência doméstica", refere.

António José Seguro salienta que "por detrás de cada um destes casos há um rosto, uma infância que é forçada a enfrentar demasiado cedo o peso da adversidade", e "há sonhos que se vão apagando, talentos que ficam por revelar e caminhos que se estreitam quando deveriam abrir-se ao mundo".

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"A forma como protegemos as nossas crianças constitui uma das mais exigentes provas da nossa humanidade e da nossa maturidade democrática. Quando uma criança vê o seu futuro limitado pelas circunstâncias em que nasceu, é o próprio país que falha no dever de lhe garantir dignidade, igualdade de oportunidades e esperança", defende.

O Presidente da República menciona que "Portugal conheceu avanços significativos na promoção dos direitos das crianças" e que "está em curso a implementação da Estratégia Única dos Direitos das Crianças e Jovens 2025-2035, um instrumento importante para uma resposta pública mais integrada e eficaz", mas sustenta que "nenhuma estratégia produzirá os resultados desejados nas políticas públicas sem o compromisso ativo de toda a sociedade".

O chefe de Estado afirma que é preciso "garantir a todas as crianças o direito de continuarem a sonhar, sem esquecer aquelas que vivem em situações de maior vulnerabilidade: as crianças em situação de pobreza, com deficiência ou doenças crónicas, pertencentes a minorias ou expostas à violência, ao abandono e aos riscos do ambiente digital".

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"Porque proteger a infância não é apenas responder às fragilidades do presente. É manter acesa a chama da esperança. É garantir que cada criança encontra espaço para crescer livre, descobrir os seus talentos e alimentar os sonhos que darão forma ao país de amanhã", argumenta.

Na parte final deste texto, António José Seguro sugere que os adultos se deixem inspirar pelas crianças "a olhar o outro com mais humanidade, a reconhecer na diferença uma riqueza e não uma ameaça, e a construir uma sociedade mais justa, mais livre, mais humana e mais solidária", porque "nenhuma criança nasce a odiar, a discriminar ou a excluir".

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O Presidente da República deseja a todas as crianças e às suas famílias "um feliz Dia Mundial da Criança".

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