Reino Unido não terá de escolher entre EUA e a China, diz Starmer
O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, afasta a possibilidade de o Reino Unido ter de ser obrigado a escolher entre os Estados Unidos e a China, nas vésperas de uma visita oficial a Pequim, onde se espera o anúncio de "oportunidades significativas" para as empresas inglesas.
"Muitas vezes pedem-me para simplesmente escolher entre países. Eu não faço isso", declarou Starmer, numa entrevista à Bloomberg, após questionado sobre se estaria a procurar laços mais fortes com a China à custa do relacionamento do Reino Unido com os seus aliados mais próximos.
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"Lembro-me que quando estava a negociar o acordo comercial com os Estados Unidos todos me diziam que teria de escolher entre os Estados Unidos e a Europa e eu afirmei: 'Não vou fazer essa escolha'", apontou.
A viagem de Starmer à China - a primeira de um primeiro-ministro britânico em oito anos - ocorre após a de uma delegação liderada pelo seu homólogo canadiano, Mark Carney, a qual desencadeou novas ameaças de tarifas por parte do Presidente dos EUA, Donald Trump, contra o seu vizinho.
A aguardada viagem à China, onde é esperado na quarta-feira, poderá trazer algum alívio a Starmer, que está em baixa nas sondagens de opinião no seu país e enfrenta o risco de uma disputa pela liderança este ano.
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A ida de Starmer à China cumpre uma promessa de campanha do Partido Trabalhista de redefinir uma relação tensa desde logo por causa da repressão da China em Hong Kong (que foi até 1997 colónia britânica e que figura como uma das duas regiões administrativas especiais da China, a par de Macau), mas também por suspeitas de espionagem.
Starmer optou por minimizar as contínuas divergências sobre a segurança nacional ou os direitos humanos, como a detenção do ex-magnata da imprensa Jimmy Lai, cidadão britânico, sob alegações de conluio com forças estrangeiras, considerado culpado, em dezembro, de três crimes pela justiça de Hong Kong. E, neste sentido, referiu apenas que irá levantar estas preocupações quando se reunir com os líderes chineses.
Um dos primeiros passos dados para aliviar a tensão entre Pequim e Londres foi dado, na semana passada, com a luz verde, ao fim de uma série de anos, do polémico plano da China de construir uma enorme embaixada na capital inglesa - será a sua maior na Europa - apesar dos alertas por força de receios com a segurança.
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Starmer insistiu que o Reino Unido pode reunir-se com o Presidente chinês, Xi Jinping, sem irritar Trump ou beliscar as relações com os Estados Unidos, rejeitando a ideia de que teria de fazer concessões na sua abordagem em relação às duas maiores economias do mundo.
Da mesma forma - contrapôs - "não podemos simplesmente enterrar a cabeça na areia e ignorar a China, quando é a segunda maior economia do mundo e existem oportunidades de negócio. Não seria sensato".
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Em 2024, as trocas comerciais entre o Reino Unido e a China foram de 93 mil milhões de dólares, contra 141 mil milhões de dólares com os Estados Unidos.
A acompanhar o primeiro-ministro britânico na visita à China, que tem paragens em Pequim e Xangai, estarão aproximadamente 60 líderes de empresas, universidades e instituições culturais.
"Eles compreendem as oportunidades que existem", apontou.
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