Teerão nega acordo com Trump e afirma que preço do petróleo continuará alto
Taiwan assegura que abastecimento de gás natural está garantido até junho
O abastecimento de gás natural em Taiwan está "totalmente garantido" até junho, assegurou hoje o ministro dos Assuntos Económicos, Kung Ming-hsin, numa altura de preocupação com possível escassez energética devido ao conflito no Médio Oriente.
Em declarações citadas pela agência noticiosa CNA, o governante indicou que a programação para junho já está concluída em cerca de 50%, o que "garante a estabilidade geral do abastecimento".
O ministério dos Assuntos Económicos indicou anteriormente que o fornecimento de gás natural se manteria estável até ao final de maio e que as fontes de importação da ilha estão diversificadas por 14 países, reduzindo a dependência exclusiva do Médio Oriente.
"Perante o impacto do conflito, a empresa estatal CPC Corporation reforçou a redistribuição de fornecimentos provenientes de fora do Médio Oriente para assegurar um abastecimento suficiente", referiu o ministério, em comunicado divulgado na segunda-feira.
Segundo dados da Administração de Energia, o gás natural liquefeito (GNL) foi a principal fonte de produção de eletricidade em Taiwan em 2025, representando mais de 47% do total, à frente do carvão (35,4%), das energias renováveis (13,1%) e da energia nuclear (1,1%).
As principais origens das importações de GNL foram o Qatar (33,7%), que na semana passada foi alvo de ataques com mísseis iranianos contra infraestruturas de gás, seguido da Austrália (33,5%), dos Estados Unidos (9,9%) e da Papua-Nova Guiné (7,9%).
Taiwan, sede da TSMC, maior fabricante mundial de 'chips' avançados para inteligência artificial, depende fortemente de combustíveis importados por via marítima, o que a torna particularmente vulnerável a eventuais interrupções no fornecimento.
Conflito prolongado eleva risco de tensões sociais na Ásia-Pacífico, diz Fitch
A agência de notação financeira Fitch alertou para um aumento do risco de tensões sociais e protestos na região da Ásia-Pacífico provocado pelo aumento do custo de vida, caso o conflito no Golfo se prolongue.
"O papel central do Golfo nos mercados globais de fertilizantes", a subida do preço do gás natural e "as perturbações no comércio" podem elevar os custos dos fertilizantes, sublinhou a Fitch, num relatório divulgado na terça-feira.
Em 28 de fevereiro, Israel e os Estados Unidos iniciaram uma vaga de bombardeamentos contra o Irão. Em retaliação, Teerão tem atacado alvos nos países vizinhos do Golfo, incluindo bases militares e infraestruturas energéticas, e encerrou o Estreito de Ormuz, por onde transita cerca de 20% do petróleo e gás natural do mundo.
Desde o início do conflito, os mercados asiáticos registaram um aumento de 143% no preço do gás natural liquefeito, componente que representa a maioria dos custos de produção de fertilizantes.
A China já impôs restrições às exportações de fertilizantes fosfatados e a Fitch disse esperar que a medida se mantenha, "restringindo o fornecimento em toda a região" da Ásia-Pacífico.
Uma subida no custo dos fertilizantes poderá tornar mais caros os alimentos e mais pesados os encargos financeiros dos países que têm "grandes programas" de subsídios à agricultura, referiu a agência.
Com menos fertilizante disponível no mercado, explicou a Fitch, os alimentos produzidos serão menos nutritivos, "aumentando os riscos para a segurança alimentar", particularmente nos países com baixos rendimentos.
Potenciais interrupções no fornecimento de petróleo podem também acelerar a inflação e limitar o crescimento nos países da Ásia-Pacífico, altamente dependentes das importações de combustíveis fósseis, referiu a Fitch.
"O impacto será desigual em toda a região", prevê a agência, com a Índia, Coreia do Sul, Paquistão, Filipinas, Maldivas e Tailândia entre os mais afetados.
Pelo contrário, os exportadores líquidos de energia, como a Austrália e a Malásia, poderão obter maiores receitas da venda de petróleo e gás natural, refere o relatório.
No entanto, a Fitch espera que nenhuma economia da Ásia-Pacífico beneficie, de forma geral, de um conflito prolongado no Golfo, devido ao impacto na inflação e no crescimento económico e às "pressões políticas associadas".
A agência diz que jurisdições como Singapura ou Macau, com "grandes reservas financeiras", podem implementar apoios aos combustíveis, eletricidade ou aos fertilizantes para estabilizar a economia.
Mas "as finanças públicas deterioraram-se em muitos países da região Ásia-Pacífico desde a pandemia de covid-19", lembrou ainda a Fitch, o que resultou na diminuição das reservas disponíveis para a política orçamental.
Teerão nega acordo com Trump e afirma que preço do petróleo continuará alto
O Irão respondeu hoje às declarações do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que estaria a negociar com Teerão: "Não chames acordo à tua derrota. A era das tuas promessas chegou ao fim", disse o Exército iraniano.
Num comunicado divulgado pela agência Tasnim, ligada à Guarda da Revolução Islâmica iraniana, o porta-voz do Comando Unificado de Operações Khatam al-Anbiya, o coronel Ebrahim Zolfaghari, insistiu que as declarações da Casa Branca sobre as negociações com a República Islâmica são falsas.
"Não chames acordo à tua derrota. A era das tuas promessas terminou. Existem hoje duas frentes: a verdade e a mentira. E nenhum amante da verdade se deixa seduzir pelas tuas ondas mediáticas", afirma o comunicado.
"Será que os teus conflitos internos chegaram a um ponto em que estás a negociar contigo mesmo?", continuou.
O Exército iraniano também advertiu que o preço do petróleo não voltará a ser o que era até que as Forças Armadas iranianas "garantam a estabilidade da região".
"Nem os vossos investimentos na região se concretizarão, nem verão os preços da energia e do petróleo de antes, até compreenderem que a estabilidade na região é garantida pela mão poderosa das nossas forças armadas", acrescenta o texto do Comando Unificado de Operações.
Donald Trump manifestou-se na terça-feira convencido de que Teerão e Washington vão "chegar a um acordo" no âmbito das conversações que o Presidente norte-americano afirma estar a manter com a República Islâmica, onde se verificou "uma mudança no regime".
Teerão reconheceu ter mantido alguns contactos indiretos com a Casa Branca, mas rejeitou categoricamente qualquer tipo de negociação.
Trump afirmou ainda que os representantes do Irão com quem Washington está a dialogar "concordaram que nunca terão a arma nuclear" e que Teerão lhe concedeu um "grande presente" relacionado com o estreito de Ormuz, rota comercial fundamental para o petróleo, controlada pelo Irão, e pedra angular deste conflito.
O Exército iraniano declarou, porém, que, até que a sua "vontade" seja feita, nenhuma situação "voltará a ser o que era": "Ninguém como nós chegará a um acordo com alguém como vocês", sublinhou o porta-voz.
O The New York Times noticiou na terça-feira, citando uma fonte, que falou sob condição de anonimato, que a Casa Branca terá submetido ao Irão um plano de cessar-fogo com 15 pontos, através de intermediários do Paquistão, que se ofereceram para acolher negociações entre Washington e Teerão.
Paralelamente, o Pentágono está a mobilizar duas unidades da Marinha que irão adicionar à presença militar norte-americana na região cerca de 5.000 fuzileiros navais e milhares de marinheiros.
As duas medidas estão a ser interpretadas como uma manobra de Trump para se garantir "máxima flexibilidade" quanto ao que irá fazer a seguir, acrescentou a fonte.
Autoridades israelitas, que têm defendido que Trump continue a guerra contra o Irão, ficaram surpreendidas com a apresentação de um plano de cessar-fogo, ainda segundo a mesma fonte.
A Casa Branca não respondeu aos pedidos da Associated Press para um comentário sobre esta notícia.
Entretanto, ataques aéreos atingiram a República Islâmica, enquanto mísseis e drones iranianos atacaram Israel e alvos em toda a região.
Com os preços do petróleo a subir e os consumidores a sentirem o impacto nas bombas de gasolina, Trump tem estado sob crescente pressão interna para pôr fim à guerra.
O bloqueio de Teerão ao estreito de Ormuz paralisou o transporte marítimo internacional, fez disparar os preços dos combustíveis e ameaça a economia mundial.
"O poder estratégico de que costumavam falar transformou-se num fracasso estratégico", afirmou Zolfaghari.
"Aquele que se autointitula superpotência mundial já teria saído desta confusão se pudesse. Não disfarcem a vossa derrota como um acordo. A vossa era de promessas vazias chegou ao fim", reiterou.
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