Com estagflação ainda em cima da mesa, Bruxelas prepara-se para cortar previsões
Apesar do cessar-fogo acordado entre os Estados Unidos e o Irão, a União Europeia continua a arriscar um cenário de estagflação, ou seja, de baixo crescimento e inflação elevada, insistiu o comissário europeu para a Economia. Por isso, a Comissão Europeia prepara-se para piorar as suas previsões para este ano.
Numa entrevista ao jornal Financial Times publicada nesta quinta-feira, 9 de abril, Valdis Dombrovskis começou por saudar o cessar-fogo acordado entre a Casa Branca e Teerão. "É certamente um passo bem-vindo no sentido da desescalada e espera-se também que traga alívio no que diz respeito à crise energética".
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Mas alertou que "quanto ao impacto económico da guerra no Irão, é claro que continua sujeito a elevada incerteza" e que "é evidente que enfrentamos um choque estagflacionário". O alerta já tinha sido deixado por Dombrovskis uma semana depois de os Estados Unidos e Israel terem atacado o Irão.
É com estes efeitos em cima da mesa que a Comissão se prepara para piorar as suas projeções para o PIB e a inflação da União Europeia e da Zona Euro nas previsões de primavera, a publicar em maio. Antes do início do conflito, Bruxelas via a UE a crescer 1,4% este ano e 1,5% em 2027, com a inflação perto, mas acima, de 2% este ano e no próximo.
No entanto, cenários económicos recentes elaborados pela Comissão estimam que o crescimento poderá abrandar até 0,4 pontos percentuais este ano se os preços da energia regressarem aos níveis anteriores à guerra com o Irão até ao final de 2026. O crescimento poderá abrandar 0,6 pontos percentuais tanto este ano como no próximo se os preços da energia demorarem mais a regressar aos níveis pré-guerra. Este cenário já tinha sido colocado por Dombrovskis no final de março.
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Espera-se também que a inflação aumente até um ponto percentual este ano no primeiro cenário da Comissão e até 1,5 pontos percentuais tanto este ano como em 2027 no segundo cenário.
Na entrevista, o comissário apelou aos Estados-Membros para que não transformam a crise energética numa crise orçamental através de despesa excessiva. “Temos menos margem de manobra orçamental do que tínhamos anteriormente” e, por isso, “precisamos de medidas claramente temporárias e direcionadas, com impacto orçamental limitado”, afirmou.
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A Comissão avaliará, depois de receber os relatórios anuais de progresso, se os países estão no bom caminho para cumprir as metas de redução da dívida e do défice, e se deve avançar com mais “procedimentos por défice excessivo” contra os países que não reduziram os seus défices para os níveis acordados.
Desde o início da guerra com o Irão, Roma tem apelado a Bruxelas para suspender temporariamente as regras orçamentais através cláusula de escape (que isenta os Estados-membros do cumprimento das regras). Questionado sobre essa possibilidade pelo FT, Dombrovskis afirmou que a cláusula "existe para responder a uma grave recessão económica na UE ou na área do euro… atualmente não estamos nesse cenário".
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