INE confirma disparo da inflação para 2,7% em março à boleia dos combustíveis
O Instituto Nacional de Estatística (INE) confirmou esta segunda-feira que a variação homóloga da inflação disparou para 2,7% em março, o primeiro mês desde o início da guerra no Irão. A aceleração do índice de preços no consumidor (IPC) é "quase na totalidade explicada pelo aumento do preço dos combustíveis", na sequência do conflito no Médio Oriente e dos constrangimentos no estreito de Ormuz.
"A variação homóloga do IPC foi 2,7% em março de 2026, taxa superior em 0,6 pontos percentuais à registada no mês anterior. Com arredondamento a uma casa decimal, esta taxa coincide com o valor da estimativa rápida divulgada a 31 de março", lê-se no boletim estatístico do INE. Este é o valor mais elevado desde agosto do ano passado. Até aqui, a inflação estava a oscilar em valores muito próximos dos 2%.
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A escalada nos preços dos combustíveis levou, no entanto, a um novo disparo na inflação. Os dados do INE revelam que, em março, o índice de preços da energia, que estava em valores negativos (ou seja, a energia estava mais barata do que há um ano), acelerou de -2,2% em fevereiro para 5,7%, menos uma décima do que tinha sido avançado. Porém, essa subida faz antever aumentos noutras categorias de produtos, dado que mexidas nos preços dos combustíveis refletem-se com muita rapidez ao restante cabaz.
Em sentido contrário, os produtos alimentares não transformados (frescos) impediram um disparo ainda maior na inflação, embora estejam em valores muito elevados. Em março, o índice referente aos alimentos frescos desacelerou de 6,7% para 6,4%. Esse alívio acontece numa altura em que se espera uma nova aceleração dos preços dos alimentos devido ao "comboio de tempestades" que assolou o país no arranque do ano e ao encarecimento dos preços de transporte, devido à guerra no Irão e à escalada nos preços dos combustíveis.
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A inflação subjacente, que exclui produtos que estão mais sujeitos a grandes variações de preço (bens alimentares não transformados e energéticos), acompanhou a tendência de subida do índice de preços global mas com a um ritmo inferior. Em março, a chamada "inflação crítica" acelerou de 1,9% para 2%, ficando ainda em linha com a meta do Banco Central Europeu (BCE). Isso revela que, apesar do disparo na energia, esse ainda não está a "contagiar" os produtos que têm preços mais estáveis, como a educação e saúde.
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Em comparação com o mês anterior, a variação do IPC terá sido 2%, um valor que compara com 0,1% em fevereiro. Já a variação média nos últimos doze meses foi de 2,3% em março, um "valor idêntico" ao do mês anterior.
O índice harmonizado de preços no consumidor (IHPC) português, que permite comparar a variação de preços em Portugal com a dos restantes Estados-membros da União Europeia (UE), acelerou de 2,1% para 2,7% em março e ficou duas décimas acima do valor estimado pelo Eurostat para a Zona Euro. Essa diferença face à média da Zona Euro é "idêntica" à observada no mês anterior.
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Excluindo os produtos que estão mais sujeitos a grandes variações de preços, o IHPC em Portugal atingiu uma variação homóloga de 2% em março, um "valor idêntico em fevereiro". Esse valor é também inferior ao estimado para a Zona Euro (2,2%), o que significa que a subida dos combustíveis na Europa está a ter um maior impacto noutros países da moeda única.
(notícia atualizada às 11h48)
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