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Consumo privado acelera, investimento continua negativo

Pelo terceiro trimestre consecutivo, o investimento registou uma queda homóloga, mostram os dados do INE. O crescimento de 1,6% face ao mesmo período de 2015 foi foi resultado de um salto grande da procura externa líquida e de uma aceleração do consumo das famílias.

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Bruno Simão/Negócios
Nuno Aguiar naguiar@negocios.pt 30 de Novembro de 2016 às 11:09
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Os dados publicados esta manhã pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) confirmam a estimativa rápida de crescimento no terceiro trimestre do ano, apontando para uma variação homóloga de 1,6% e em cadeia de 0,8%. Permitem também descodificar o que está por trás destes números. 

Concentrando-nos na variação homóloga, os números do PIB justificaram-se com uma aceleração substancial da procura externa líquida (exportações subtraídas das importações), que passou de um contributo para o crescimento de 0,1 para 0,7 pontos percentuais, entre o segundo e o terceiro trimestre. É o terceiro trimestre consecutivo de melhoria da procura externa líquida. Mas a ajuda não veio toda de fora. Nesta óptica - variação homóloga - a procura interna também contribuiu ligeiramente mais para a actividade económica, passando de 0,8 para 0,9 pontos. É na soma dos 0,7 com os 0,9 pontos percentuais que se chega à variação de 1,6%.

Na frente externa, o desenvolvimento mais relevante parece ter vindo das exportações, que passaram de uma variação positiva de 1,8% no segundo trimestre para 5,4% no terceiro. Este salto mais do que compensou a aceleração das importações, que passaram de 1,4% para 3,5%.

De referir que este ganho de ímpeto por parte das exportações observa-se tanto nos bens como nos serviços (este último, muito influenciado pelo turismo). Enquanto a venda de mercadorias ao exterior passou de uma variação homóloga de 2,5% para 5,7%, as exportações de serviços deixaram de cair (-0,2%) para passar a crescer (4,4%).

Dentro de portas, o destaque positivo vai para o consumo das famílias, cujo crescimento homólogo passou de 1,6% para 1,9%, graças aos bens não duradouros e serviços. Por outro lado, o investimento continua a dar sinais negativos, mantendo-se no vermelho. Entre Julho e Setembro, a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) voltou a registar uma quebra, embora menos de intensa do que no trimestre anterior (-1,5% vs. -2,4%). É o terceiro trimestre consecutivo de queda para a FBCF. Entre os segmentos do investimento, a construção continua a cair e a propriedade intelectual aprofundou a quebra. Observam-se melhorias nas "outras máquinas e equipamento". 

"O comportamento da FBCF em construção explicou, em grande medida, a diminuição da FBCF total verificada no terceiro trimestre, registando uma variação homóloga de -3,7% em termos reais, após ter diminuído 3,8% no 2º trimestre", escrevem os técnicos do INE.

Só o comércio externo ajudou o crescimento em cadeia

Nos últimos dias foram escritos alguns artigos, em que se argumentava que o crescimento tinha todo vindo da vertente externa. Essa é, de facto, a realidade, mas apenas para a variação em cadeia (0,8% no terceiro trimestre). Nessa análise - que compara um trimestre com o trimestre anterior - o contributo para o crescimento veio totalmente da procura externa líquida, que, depois de dois trimestres negativos, deu uma ajuda de 1,3 pontos percentuais. Já a procura interna, voltou aos contributos negativos (-0,4 pontos), depois de nove meses no verde. 

"Relativamente ao segundo trimestre de 2016, o PIB aumentou 0,8% em termos reais (0,3% no trimestre anterior). O contributo da procura externa líquida para a taxa de variação em cadeia do PIB foi positivo, devido ao aumento das Exportações de Bens e Serviços e à diminuição das Importações de Bens e Serviços, enquanto o contributo da procura interna foi negativo, reflectindo principalmente a redução do Investimento", pode ler-se no destaque do INE.
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