Fórum para a Competitividade diz que PTRR não terá impacto "muito significativo" para a economia
Sem que o PTRR tenha um impacto "muito significativo" na economia portuguesa e perante um acordo no conflito no Médio Oriente no curto prazo, Fórum para a Competitividade vê PIB português a crescer 2% este ano.
- 1
- ...
Apesar de envolver um pacote financeiro de 22,6 mil milhões de euros, o Plano Transformação, Recuperação e Resiliência (PTRR) não deverá ter um impacto "muito significativo" na economia portuguesa, perante as restrições das contas públicas e a burocracia exigida ao investimento privado.
O entendimento é do Fórum para a Competitividade, uma associação privada sem fins lucrativos liderada por Pedro Ferraz da Costa que se dedica ao estudo da economia portuguesa e que tem como associados um conjunto de empresas e associações empresariais. Na nota de conjuntura divulgada nesta quarta-feira, 6 de maio, o Fórum para a Competitividade admite que o impacto do PTRR "não possa ser muito significativo, pelas restrições orçamentais atuais". E afirma que, para libertar os fundos privados, estimados em um terço do PTRR, "será necessário avançar de forma mais decidida com a desburocratização e redução dos obstáculos em geral ao investimento".
Recorde-se que, no final de Abril, o governo apresentou o programa PTRR com um volume global estimado de cerca de 22,6 mil milhões de euros, com o objetivo de responder aos danos das tempestades ocorridas no início desse ano e reforçar a resiliência do país contra eventos climáticos extremos até 2034. Considerando que, desse total, 8,3 mil milhões são financiados pelas Administrações Públicas e são para executar em nove anos, o Fórum para a Competitividade diz que isso implica "menos de mil milhões por ano, ou cerca de 0,3% do PIB, equivalendo a 10% do investimento público em 2025".
Por esse motivo, e assumindo que as tensões no golfo Pérsico abrandam no curto prazo, o Fórum estima que o crescimento da economia portuguesa "poderá não ser afetado de forma significativa e poderá ser próximo dos 2%" este ano. A estimativa fica em linha com a previsão do Governo, que no relatório anual de progresso enviado à Comissão Europeia na passada semana reviu em baixa a sua projeção, de 2,3% para 2%.
Ainda assim, o Fórum para a Competitividade considera que, depois de a economia ter estagnado no primeiro trimestre, o segundo trimestre teve um "início fraco", perante os dados do indicador diário de atividade do Banco de Portugal, que ainda não mostram uma recuperação da atividade económica após o duplo choque (tempestades e guerra no Irão).
Ainda assim, "a questão essencial continua a ser a da duração do conflito no Médio Oriente, sobretudo quando se dará a normalização da circulação pelo estreito de Ormuz", considera, lembrando que os mercados financeiros estão a admitir uma solução no curto prazo. Isso é visível nos contratos de futuros de petróleo, que têm um pico em Julho, descendo para níveis quase “normais” até ao final do ano.
"As taxas Euribor a 12 meses também recuaram, sugerindo que o BCE não será forçado a tantas subidas como se chegou a temer", interpretam.