Conjuntura OCDE: É "urgente" haver ação concertada dos países para contrariar travagem do PIB

OCDE: É "urgente" haver ação concertada dos países para contrariar travagem do PIB

A OCDE apela à ação concertada dos países ao nível da política orçamental e monetária, do comércio mundial e dos desafios estruturais para que se reverta a desaceleração do crescimento económico.
Tiago Varzim 21 de novembro de 2019 às 10:00
É preciso virar a maré contra a travagem económica. E urgentemente. Esta é a mensagem da economista-chefe da OCDE, Laurence Boone (na foto), no Economic Outlook de novembro divulgado esta quinta-feira, dia 21, onde a Organização pinta um cenário negativo para o crescimento mundial. 

Para 2019 a Organização continua a prever um crescimento de 2,9% a nível mundial, o mais baixo desde a crise financeira. Mas no ano seguinte, ao contrário da aceleração que via anteriormente, o PIB deverá crescer também 2,9% e só em 2021 recuperará ligeiramente para um crescimento de 3%. As previsões nem mudaram muito, mas o discurso da OCDE é mais alarmista nesta edição do Economic Outlook.

Os riscos são descendentes, isto é, as coisas podem piorar, e já há sinais de contágio entre a contração da indústria por causa da travagem do comércio mundial e o enfraquecimento do dinamismo no setor dos serviços. É com base neste cenário pessimista que a OCDE deixa um apelo aos países: "O investimento e a cooperação internacional são urgentes para escapar a uma estagnação prolongada". 

Num editorial intitulado de "Mudanças nas políticas para virar a maré", a economista-chefe da OCDE alerta que o crescimento dos países está, na sua maioria, abaixo do potencial e que os contributos da política monetária e orçamental estão "desequilibrados". Apesar dos juros baixos terem aberto a porta aos países para investirem de forma "audaz" para aumentar o crescimento de longo prazo, "até hoje, à exceção de alguns países, a política orçamental tem sido apenas marginalmente favorável". 

A "maior preocupação" de Laurence Boone é a de que a deterioração das perspetivas económicas seja cada vez mais fruto de "questões estruturais" em vez de um "choque cíclico", citando o caso da emergência climática, da digitalização e da mudança da ordem multilateral que afeta o comércio mundial e a geopolítica. "Seria um erro considerar estas mudanças como fatores temporários que podem ser resolvidos com política monetária ou orçamental", alerta, argumentando que estes são problemas "estruturais" que têm de ser resolvidos com "políticas claras". 

"Há espaço e uma necessidade urgente para ação política mais corajosa para reanimar o crescimento", considera Boone, referindo que a redução da incerteza das políticas nas áreas já citadas tem o "potencial de reverter" a atual desaceleração e aumentar os "padrões de vida e o crescimento futuro". A "confiança" é um elemento chave dessa estratégia, daí a necessidade de uma política coordenada entre os países que poderia até "revertar uma recessão", quando esta chegar. 

Para a economista-chefe da OCDE, a situação atual de "níveis baixos" de crescimento económico, de inflação e de juros "não deixa margem para complacência". Pelo contrário, "há uma janela de oportunidade única para evitar a estagnação que iria prejudicar a maior parte das pessoas: restaurar a certeza e investir para o benefício de todos".



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