Otimismo das famílias diminui após "comboio de tempestades". Confiança das empresas sobe
Caos provocado pelo mau tempo em fevereiro reduziu a confiança das famílias. Esperam realizar menos compras importantes nos próximos meses e estão menos otimistas em relação à situação económica do país. Nas empresas, a confiança aumentou, mas apenas de forma ténue.
A confiança dos consumidores diminuiu em fevereiro, mês que ficou marcado por um "comboio de tempestades" e entrou para a história como o mais chuvoso em quase meio século. A conclusão é dos inquéritos de conjuntura do Instituto Nacional de Estatística (INE), divulgados esta quinta-feira, que revelam que, em contraciclo, o otimismo em relação aos próximos meses melhorou entre os empresários.
Os inquéritos do INE, realizados entre os dias 1 e 20 de fevereiro junto de 1.127 consumidores e 4.468 empresas, mostram que o indicador de confiança dos consumidores diminuiu em fevereiro, após ter aumentado nos dois meses anteriores. Essa diminuição é explicada pela destruição provocada pelo mau tempo, que afetou todo o país e com especial incidência na região Centro, e que levou a contributos negativos de todas componentes analisadas para calcular o saldo das respostas das famílias.
Os consumidores revelam estar menos otimistas em relação à realização de compras importantes nos próximos meses, bem como em relação à situação económica do país. Com uma queda inferior, mostram ainda uma opinião menos favorável em relação à evolução passada e expectativas sobre a evolução futura da situação financeira do agregado familiar.
As opiniões sobre a evolução passada dos preços também aumentaram em fevereiro, à semelhança do que tinha acontecido em janeiro, "após ter diminuído nos dois meses anteriores". Além disso, as expectativas sobre a evolução futura dos preços aumentaram também "consideravelmente" entre dezembro e fevereiro, "depois das diminuições registadas nos três meses precedentes".
Por outro lado, o indicador de clima económico – que sintetiza os saldos de respostas extremas das questões relativas aos inquéritos às empresas (indústria transformadora, construção, comércio e serviços – aumentou "tenuemente" em fevereiro, após ter diminuído no mês anterior. Os indicadores de confiança aumentaram nos setores dos serviços e na indústria transformadora. Em sentido inverso, diminuíram no comércio e na construção.
O aumento da confiança nos serviços é explicado por uma perspetiva mais positiva em relação à evolução da procura e da carteira de encomendas. Na indústria transformadora, o maior otimismo reflete o "expressivo contributo positivo das perspetivas de produção". Em sentido contrário, o pessimismo no comércio reflete os contributos negativos das opiniões sobre o volume de vendas e das perspetivas sobre a atividade nos próximos três meses. Por sua vez, na construção, o indicador de confiança diminuiu devido ao contributo negativo das perspetivas de emprego.
No que toca à evolução futura dos preços, verificou-se um aumento das intenções de subir os preços nos serviços nos próximos meses. Nos restantes setores, a intenção de aumentar os preços diminuiu.
O INE nota que a recolha das respostas das empresas a estes inquéritos "foi condicionada por constrangimentos operacionais resultantes das tempestades que afetaram diversas regiões do país". "Estes constrangimentos impactaram a capacidade de contacto e resposta por parte das empresas, observando-se um aumento das taxas de não resposta das empresas no total do país e, sobretudo, nas regiões afetadas", refere. Face a essa limitação, o INE sublinha que "os indicadores deste mês devem ser interpretados com maior cautela".
(notícia atualizada às 10h09)
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