UE arranca ano com exportações de bens a afundarem 10%. Saldo passa ao "vermelho"
No primeiro mês do ano, os 27 importaram mais 5,9 mil milhões de euros em mercadorias do que exportaram, conduzindo a um saldo comercial negativo. Défice com a China agravou-se e o excedente com os EUA diminuiu. Arranque do ano trouxe ainda um alívio no défice na energia, antes da escalada de preços com a guerra.
O arranque do ano trouxe um arrefecimento nas trocas comerciais da União Europeia (UE). As exportações dos 27 tombaram 10% em janeiro, face ao ano anterior, segundo os dados preliminares divulgados esta sexta-feira pelo Eurostat, enquanto as importações caíram 9,5%. Com a UE a importar mais do que exportou, o saldo passou ao "vermelho", tendo-se registado um défice comercial de 5,9 mil milhões de euros.
Os dados divulgados pelo Eurostat revelam que, no primeiro mês de 2026, os Estados-membros exportaram, em conjunto, 189,2 mil milhões de euros. Em sentido contrário, importaram 195,1 mil milhões de euros. Isso significa que a UE importou mais 5,9 mil milhões em mercadorias do que exportou, tendo, por isso, registado um desequilíbrio nos pratos da balança comercial que não é favorável às suas contas externas.
No ano passado, a balança comercial da UE foi também deficitária no arranque do ano, tendo melhorado nos meses seguintes e conseguido fechar o ano com excedente. Porém, este ano, o défice do arranque do ano é maior. Os 5,9 mil milhões de défice agora registados comparam com 5,4 mil milhões de janeiro de 2025. Ou seja, o défice comercial da UE aumentou, em termos homólogos, cerca de 9% em janeiro.
Esse agravamento é explicado sobretudo pela "diminuição significativa" observada nas trocas de produtos químicos. O Eurostat dá conta de que o excedente comercial da UE nos produtos químicos reduziu-se de 23 mil milhões em janeiro de 2025 para 15,4 mil milhões em janeiro deste ano. Também o excedente comercial nas máquinas e veículos diminuiu de 8,4 mil milhões para 1,7 mil milhões, prejudicando o saldo comercial da UE no arranque deste ano.
Por outro lado, o Eurostat indica que o défice registado na energia apresentou uma melhoria em janeiro, tendo passado de -29,3 mil milhões em janeiro de 2025 para -21,5 mil milhões no primeiro mês deste ano. Essa melhoria deu-se ainda antes de o ataque militar dos Estados Unidos e de Israel ao Irão ter conduzido a uma nova escalada nos preços da energia, que deverá penalizar a balança comercial europeia nos próximos meses, tendo em conta a dependência externa dos Estados-membros no que toca à energia.
Analisando por principais parceiros comerciais europeus, verifica-se que o maior défice comercial da UE deu-se nas trocas com a China (-32,5 mil milhões de euros) e que, em comparação com o ano anterior, esse défice agravou-se. Por outro lado, registou-se uma melhoria do défice dos 27 com a Noruega, Índia e Coreia do Sul.
Em sentido contrário, o maior excedente comercial da UE verificou-se nas trocas com o Reino Unido (16,4 mil milhões). Esse valor foi superior ao saldo positivo registado nas trocas comerciais com os Estados Unidos (9,2 mil milhões), que eram até então o parceiro com o qual a UE tinha a relação mais favorável às contas externas. Essa situação alterou-se, no entanto, com o azedar das trocas transatlânticas devido à "guerra de tarifas" iniciada pela Administração Trump.