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Alemanha compra parte da CureVac na corrida pela obtenção da vacina contra a covid-19

O governo germânico está a preparar-se para avançar com a compra de uma participação na CureVac, uma biofarmacêutica alemã que está na corrida pela vacina contra a covid-19.

Reuters
Gonçalo Almeida goncaloalmeida@negocios.pt 15 de Junho de 2020 às 14:26
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A Alemanha vai comprar uma participação de cerca de 23% na CureVac AG, uma biofarmacêutica que está a desenvolver uma vacina contra a covid-19, por 300 milhões de euros, numa tentativa do Governo de garantir um fornecedor de uma potencial vacina.

O anúncio surge depois da especulação de que os Estados Unidos estariam interessados em avançar para a compra da empresa sediada em Tuebingen ou da sua tecnologia. O negócio será intermediado pelo banco germânico KfW. 

"A Alemanha não está para venda", garantiu o ministro da Economia do país, Peter Altmaier, numa conferência de imprensa na manhã desta segunda-feira, dia 15 de junho. "Não estamos a vender a prata da família. Sou um grande apoiante de uma economia global de mercado livre, mas há certas áreas onde a nossa posição deve ser muito clara", remata o membro do executivo. 

Com este investimento, a Alemanha posiciona-se dentro de uma empresa que está ainda em fase inicial, mas promissora, para a obtenção de uma vacina que combata a covid-19. A vacina experimental da CureVac está ligeiramente em desvantagem nesta corrida, relativamente às rivais Moderna dos Estados Unidos ou face à BioNTech, mas segundo os especialistas os resultados iniciais são promissores. 

Algumas das vacinas estão a ser desenhadas com uma base mais tradicional, que usa partes inativas do vírus para estimular a imunidade dos corpos. Outras estão a ser elaboradas com recurso a nova tecnologia, usando versões sintéticas do código genético do vírus.

Um destes exemplos, baseado no RNA – ácido ribonucleico, que resulta da transcrição de uma sequência do material genético –, é a vacina elaborada pela biofarmacêutica alemã CureVac, mas também da norte-americana Moderna, que mostrou resultados promissores nos primeiros testes em humanos, apesar de ainda se tratar de um estágio muito preliminar da experimentação.

Ao mesmo tempo, alguns outros exemplos baseados no ADN – o material genético, uma sequência que existe em todas as nossas as nossas células – mostraram conclusões iniciais otimistas, depois de terem sido testadas em macacos. Foi o caso da Universidade de Oxford, que se juntou à britânica AstraZeneca para o fabrico em larga escala e distribuição da vacina, caso venha a ter sucesso. 

A Alemanha não é o único país que se move para garantir o acesso a uma potencial vacina. França também pode anunciar apoio a um projeto local, depois de uma visita a uma fábrica da Sanofi no país. Há uns dias, a britânica AstraZeneca chegou a acordo para o apoio de quatro países da União Europeia, incluindo a Alemanha.  

A entrada na CureVac marca o segundo investimento do género na Alemanha, depois de o governo local e a administração da Lufthansa terem selado um acordo para as ajudas de Estado que a companhia aérea alemã vai receber para fazer face às perdas registadas com os efeitos da pandemia da covid-19. O estado alemão injetou 9 mil milhões de euros e passa a ser o maior acionista.
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