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Alemanha injeta 9 mil milhões na Lufthansa e fica com 20% do capital

A  Lufthansa vai receber uma ajuda estatal de 9 mil milhões de euros e passa a ter o estado alemão como maior acionista.

Lufthansa negoceia com quatro governos
Nuno Carregueiro nc@negocios.pt 25 de Maio de 2020 às 11:42
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O Governo alemão e a administração da Lufthansa já selaram o acordo para a ajuda de estado que a companhia aérea alemã vai receber para fazer face às perdas registadas com os efeitos da pandemia da covid-19.

 

A notícia foi avançada esta manhã pela agência de notícias germânica DPA, que dava conta que o acordo está ainda pendente da aprovação por parte do fundo de resgate de empresas que foi criado pelo Governo alemão, bem como pelo conselho de administração da Lufthansa e pela Comissão Europeia.

 

Um comunicado emitido esta tarde, citado pela Bloomberg, confirma o acordo e avança com detalhes da operação. A companhia aérea alemã recebe um apoio público de 9 mil milhões de euros, tal como estava previsto, sendo que o Estado alemão fica com até 25% do capital, passando a ser o maior acionista da Lufthansa.

 

A operação marca um regresso de parte do capital da Lufthansa à esfera pública, 20 anos depois de ter sido concluída a privatização da cotada.

 

O plano prevê que o Estado alemão fique com 20% do capital da cotada, sendo que esta posição pode subir até aos 25% mais uma ação, caso a Lufthansa seja alvo de uma oferta de aquisição.

As medidas do plano preveem um crédito com garantias de Berlim de 3 mil milhões de euros, a compra de ações no valor de 300 milhões de euros no quadro de um aumento de capital e uma injeção de fundos de 4,7 mil milhões de euros sem direito de voto, precisou a Lufthansa em comunicado, citado pela Lusa.

Pelo empréstimo, a Lufthansa pagará juros que vão de 4% em 2020 e 2021 a 7,5% em 2027. A compra de ações vai ser feita a 2,56 euros cada, o que se situa muito abaixo do preço de mercado e aumenta a possibildiade de no futuro os títulos serem vendidos com lucro para os contribuintes.

O Governo alemão e a companhia área já estavam em negociações há quatro semanas, sendo que a atrasar o acordo estariam os entraves da Comissão Europeia, que tem de aprovar esta ajuda estatal. Entre os pontos mais sensíveis estava o calendário em que o Estado alemão teria de vender a posição que agora vai adquirir.

 

A administração da empresa alemã pretendia um acordo que não implicasse a interferência do governo na gestão, mas o Estado alemão vai ter poder de veto na estratégia da companhia e nomear dois administradores em sua representação.

 

Esta é a primeiro resgate de grandes empresas alemãs durante a atual pandemia, sendo que mais deverão acontecer, tendo o governo alemão criado um fundo de 100 mil milhões de euros para capitalizar empresas.

 

As ações da Lufthansa reagiram em forte alta a esta notícia, registando um ganho de 6,44% para 8,56 euros. A empresa tem um valor de mercado de 4 mil milhões de euros, acumulando em 2020 uma queda de quase 50%.

Com a pandemia a paralisar a aviação aérea em praticamente todo o mundo, são muitas as companhias aéreas que estão a negociar ajudas estatais para sobreviverem. Em Portugal a TAP poderá receber um apoio público acima de mil milhões de euros.

França e Holanda dão apoio até 11 mil milhões

França e Holanda dão apoio até 11 mil milhões
A Air France-KLM vai receber até 11 mil milhões de euros em auxílios estatais dos governos francês e holandês. A ajuda da França ascenderá a 7 mil milhões de euros, estando em cima da mesa que 4 mil milhões sejam empréstimos bancários garantidos, enquanto os restantes 3 mil milhões virão de empréstimos diretos excecionais do Estado enquanto acionista, com 14% da companhia. Já o auxílio da Holanda será entre 2 e 4 mil milhões de euros. A Air France-KLM adiantou estar a perder 25 milhões de euros por dia e disse que não espera um regresso à normalidade antes de 2022.

American Airlines conta com mais ajudas

American Airlines conta com mais ajudas
A American Airlines assegurou já uma ajuda de Estado no total de 5,8 mil milhões de dólares (cerca de 5,4 mil milhões de euros ao câmbio atual). O apoio chegará por duas vias: uma subvenção direta de 4,1 mil milhões de dólares e um empréstimo de 1,7 mil milhões a uma taxa de juro baixa. Adicionalmente, a American espera receber um empréstimo do Tesouro dos EUA de cerca de 4,75 mil milhões de dólares.

Espanha também prepara ajuda à Iberia

Espanha também prepara ajuda à Iberia
O governo espanhol está a preparar ajudas financeiras urgentes à Iberia para impedir a sua asfixia económica, seguindo o exemplo de outros países, noticiou o jornal El Pais, sem detalhar valores do apoio. Os auxílios serão na forma de empréstimos com garantias, não estando em cima da mesa nesta fase a entrada no capital da companhia aérea. A empresa, subsidiária do grupo IAG, está também a negociar com os bancos uma linha de crédito de cerca de 1.000 milhões de euros para fazer face às necessidades urgentes de liquidez.

Lufthansa negoceia com quatro governos

Lufthansa negoceia com quatro governos
O Grupo Lufthansa está em negociações com os governos alemão, suíço, belga e austríaco no sentido de vir a obter ajudas destes países sobre um conjunto de instrumentos de financiamento que possam garantir a sua viabilidade. Segundo a Bloomberg, só a Alemanha pode vir a conceder uma ajuda de 10 mil milhões de euros, na forma de empréstimos, garantias de Estado e uma eventual participação acionista. O grupo Lufthansa integra a Austrian Airlines, Brussels Airlines, Lufthansa e Swiss, bem como subsidiárias como a Eurowings e Edelweiss Air. Segundo avançou o Der Spiegel esta sexta-feira, Alemanha poderá ficar com uma participação de 25,1% no capital da companhia aérea.

Alitalia vai ser nacionalizada em junho

Alitalia vai ser nacionalizada em junho
O governo italiano vai assumir em junho o controlo total da Alitalia, a única forma de evitar a falência da companhia aérea. Desde 2017 que a Alitalia é gerida por administradores nomeados pelo Estado e tinha já profundos problemas financeiros, que se agravaram com a crise da covid-19, que fez abandonar os planos para privatizar a participação detida pelo Estado. O governo italiano vai criar uma nova empresa no início de junho que assumirá 100% do capital da companhia aérea.

Banco de Inglaterra concede empréstimo

Banco de Inglaterra concede empréstimo
A Easyjet assegurou a concessão de um empréstimo de 600 milhões de libras (cerca de 689 milhões de euros ao câmbio atual), garantido pelas Finanças e pelo fundo de emergência criado pelo Banco de Inglaterra. Além disso, a transportadora ativou uma linha de crédito que tinha com os bancos de 407 milhões de libras (467 milhões de euros) para aumentar as suas reservas de caixa para cerca de 2,3 mil milhões de libras.

Delta dá como garantia 1% das ações

Delta dá como garantia 1% das ações
A Delta Airlines vai receber apoios do programa definido pelo governo dos Estados Unidos que visa ajudar ao pagamento de salários e outros benefícios aos trabalhadores no valor de 5,4 mil milhões dólares (cerca de 6,2 mil milhões de euros), através de uma subvenção de 4,1 mil milhões de dólares e de um empréstimo com juros baixos de 1,6 mil milhões. A companhia aérea com sede em Atlanta também vai dar ao governo mandato para adquirir cerca de 1% das ações da Delta a 24,39 dólares por ação em cinco anos. O Tesouro anunciou no sábado ajudas adicionais às companhias aéreas.

United assegurou apoios de 5 mil milhões de dólares

United assegurou apoios de 5 mil milhões de dólares
A United Airlines vai receber um total de ajudas do Governo norte-americano de 5 mil milhões de dólares (cerca de 4,6 mil milhões de euros ao câmbio atual), sendo cerca 3,5 mil milhões de dólares de injeção direta e 1,5 mil milhões através de um empréstimo com uma baixa taxa de juro. Esses fundos garantidos pelo Tesouro dos EUA serão usados para pagar salários e benefícios aos trabalhadores.

Suécia e Dinamarca garantem empréstimo

Suécia e Dinamarca garantem empréstimo
Os governo sueco e dinamarquês anunciaram já uma garantia a empréstimos para apoio à companhia aérea SAS no valor equivalente a 276 milhões de euros. Os dois Estados são acionistas da transportadora. A companhia aérea escandinava tem já previsto colocar em lay-off até 5 mil dos seus trabalhadores, o que equivale a cerca de 40% da mão-de-obra total.

Finlândia garante empréstimo de 600 milhões

Finlândia garante empréstimo de 600 milhões
O Governo da Finlândia, que controla mais de 50% da Finnair, mostrou-se já disponível para dar uma garantia pública de até 600 milhões de euros para ajudar a transportadora. A empresa estima perder cerca de 2 milhões de euros por dia no segundo trimestre deste ano devido ao impacto da covid-19, mesmo depois dos ajustamentos que já fez.

 

A Lufthansa marcou para junho a reabertura de 106 destinos, entre os quais Portugal.

(notícia atualizada às 16:41 com confirmação do acordo e detalhes da operação)

 

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