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Evolução da pandemia em Portugal menos negra do que noutros países europeus

O ritmo de propagação da pandemia da covid-19 em Portugal acelerou exponencialmente em Portugal desde o início de outubro, mas a situação ainda não atingiu as proporções de vários países europeus.

Pedro Curvelo pedrocurvelo@negocios.pt 18 de Outubro de 2020 às 20:15
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Após um mês de agosto com o menor número de infetados com o novo coronavírus, Portugal assistiu, tal como os restantes países europeus, a um aumento significativo nos novos casos. A situação agravou-se de forma acentuada em outubro, com a média de novos casos em Portugal a atingir, até este domingo, os 1.383 infetados por dia.

Ainda assim, a situação em Portugal é menos negra do que em vários países europeus, onde o número de infeções por milhão de habitantes disparou para níveis muito superiores aos verificados no nosso país.

Aliás, o número de novos casos por milhões de habitantes em Portugal apenas supera os registados na Áustria, Itália, Dinamarca, Alemanha e Suécia, de entre os 15 países analisados. Mais. Os números na Holanda são mais do dobro dos de Portugal, enquanto na Bélgica são mais do triplo e na República Checa, o país em pior situação neste momento, são quatro vezes superiores.




PORTUGAL
Em Portugal a evolução foi muito semelhante à de numerosos países europeus, com um pico de infeções na primeira metade de abril. Mas o país apresentava dois trunfos: os níveis de propagação eram inferiores à média europeia e os óbitos também. Mesmo na pior semana os casos por milhão de habitantes não alcançaram o patamar dos 80. O confinamento permitiu reduzir a incidência para cerca de um quarto desses valores. Em julho, o foco na Área Metropolitana de Lisboa levou a nova subida nos novos casos para mais de 35 novos casos por milhão de habitantes. Após uma descida na primeira metade de agosto, assiste-se agora à segunda vaga, tal como no resto da Europa, e as novas infeções por milhão de residentes alcança um recorde de quase 175.


ESPANHA
No país vizinho, após o elevado número de casos em março, que obrigou a apertadas medidas de confinamento, assistiu-se a uma subida a partir de julho, coincidindo com o levantamento de algumas restrições. Os novos casos mantiveram-se em níveis "geríveis" ao longo de julho, mas em agosto aceleraram, situação que se agravou em setembro e outubro. Atualmente, as novas infeções em Espanha atingem os 230 casos por milhão de habitantes.

ITÁLIA
Itália continua a ser um dos países europeus mais atingidos pela pandemia, principalmente em número de vítimas mortais. O país registou uma melhoria gradual a partir de abril. E mesmo no pico de março os novos casos diários em proporção da população nunca atingiram a casa das centenas. O país transalpino, tal como a maioria dos países europeus, tem visto os novos casos aumentarem nas últimas semanas, mas ainda com níveis inferiores, por exemplo, aos de Portugal. Aliás, apenas há três dias foi superada a barreira dos 100 casos por milhão de habitantes.


FRANÇA
Em França a situação tem se deteriorado rapidamente. Tal como o sucedido em Espanha, mas sempre com níveis menores de incidência da pandemia, França registou um pico em março e conseguiu uma forte redução nas infeções, nomeadamente por via de apertadas medidas restritivas à circulação de pessoas. Se em finais de junho o país contava menos de oito novos casos diários por milhão de habitantes, dois meses mais tarde esse valor era 10 vezes superior. A aceleração nas novas infeções fez-se notar a partir de meados de agosto. Agora, França regista quase 325 casos por milhão de habitantes.

BÉLGICA
Os alarmes soam bem alto na Bélgica. A 16 de setembro, o país apresentava um ritmo de infeções de 95 casos por milhão de habitantes. A 1 de outubro esse valor já tinha escalado para 271 casos. Mas só no espaço de uma semana, entre 9 e 16 de outubro, as novas infeções explodiram, passando de 379 para 630 casos por milhão de habitantes. A situação já levou o governo belga a adotar fortes medidas restritivas. 

HOLANDA
Tal como os vizinhos belgas, os holandeses também têm fortes razões para preocupações. Em meados de julho, a Holanda chegou a registar menos de três casos por milhão de habitantes. Mas a situação começou a deteriorar-se ainda em agosto e setembro e outubro apenas pioraram a evolução. Atualmente, o país apresenta 431 casos por milhão de habitantes.

ALEMANHA
A Alemanha foi sempre apontada como um exemplo no controlo da pandemia, quer pelo reduzido número de casos face à população quer pela baixa taxa de letalidade. No entanto, o país não está imune à segunda vaga e regista neste momento 67 casos por milhão de residentes, um nível que apenas tinha sido atingido no pico de abril. E a tendência de aceleração mantém-se.

REINO UNIDO
O governo britânico apostou inicialmente numa estratégia que passava por alcançar a imunidade de grupo. Os resultados revelaram-se extremamente negativos, com um elevado número de casos e de mortes. Após o primeiro-ministro Boris Johnson ter estado internado com a doença a política alterou-se e foram impostas medidas de confinamento. Assim, a descida observada no resto da Europa só chegou a terras de sua majestade em maio e apenas em junho os novos casos por milhão de habitantes ficaram abaixo dos 20. Após um mínimo de cerca de oito casos por milhão de residentes no final de julho os números voltaram a crescer e agora atingem já os 241 casos por milhão de habitantes.

REPÚBLICA CHECA
Após ter passado sem grandes problemas pelos primeiros meses da pandemia, a República Checa está a sofrer em pleno o embate da segunda vaga. O país só atingiu os 30 casos por milhão de habitantes no final de agosto. Mas desde então, o crescimento foi exponencial, em particular em outubro. Atualmente, o país de leste conta com 731 casos diários por milhão de habitantes.


Letalidade em Portugal abaixo de Suíça e Alemanha
No que concerne à taxa de letalidade, que mede o número de vítimas mortais face ao total de casos de infeção, Portugal surge no lote de países com valores mais baixos.

Atualmente, a taxa de letalidade em Portugal ronda os 2,2%, abaixo de países como a Alemanha (2,7%) ou Suíça (2,45%). 

Ainda assim, há países europeus com valores bem inferiores, como a República Checa (0,8%), o Luxemburgo (1,27%) ou a Áustria (1,41%).

Itália continua a ser o país com o registo mais negro: 9,06%, o que significa que praticamente um em cada 11 infetados no país acaba por morrer.

Também com taxas de letalidade elevadas contam-se o Reino Unido (6,18%), a Suécia (5,73%) e a Bélgica (4,91%).


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