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Pagaram o subsídio de Natal em outubro: A carta de patrões de Avintes aos trabalhadores

“Seria certamente em dezembro que faria as suas compras. Prendas, doces da época, alimentos para a ceia e dia de Natal… Tendo em conta o período que vivemos, queremos convidá-lo a alterar esta prática, excecionalmente este ano”, lê-se no arranque da carta dos donos da centenária Produtiva.

Pedro e Cassiano Gouveia, irmãos e co-CEO da Produtiva.
Rui Neves ruineves@negocios.pt 13 de Novembro de 2020 às 15:22
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Nasceu em 1910 na Rua da Picaria, no Porto, passou pela Rua Rei Ramiro, junto ao Cais de Gaia (em frente à antiga discoteca Rocks), mudou de mãos nos anos 80 deste século e, em 2010, comemorou o 100.º aniversário com a inauguração das suas atuais instalações, que ficam situadas na freguesia gaiense de Avintes.

 

A Produtiva - Fábrica de Redes dedica-se há 110 anos ao fabrico e transformação de telas e peneiros metálicos de arame, setor em que é vice-líder ibérico.

 

"Há apenas uma empresa espanhola que fatura mais do que nós", admitiu Pedro Gouveia, que partilha com o irmão Cassiano a presidência executiva da empresa, em declarações ao Negócios.

 

Com uma faturação de 4,1 milhões de euros no ano passado, contra 4,9 milhões da concorrente espanhola, a empresa de Avintes exportou 60% da sua produção para 25 países, com Espanha a surgir destacada à frente com 31% do total.

 

E neste ano de crise pandémica? "Até ao final de outubro estávamos com um crescimento das vendas na ordem dos 2%", garantiu o co-CEO da Produtiva.

 

Pedro e Cassiano detêm 35% do capital da empresa cada, estando os restantes 30% nas mãos da irmã, que não trabalha na empresa adquirida pelo pai, falecido em 2018.

 

E foi a 29 de outubro passado, pelas 10:44, que 47 dos 49 trabalhadores da Produtiva souberam por e-mail que, "nesse mesmo dia", iriam receber o subsídio de Natal juntamente com o salário desse mês. "Os outros dois, mais velhos, continuam sem e-mail, pelo que lhes foi entregue em papel…".

 

Eis o e-mail enviado pela administração da Produtiva aos seus trabalhadores:

 

"Caro(a) Colaborador(a)

 

Nesta sua empresa, o Subsídio de Natal (SN) é processado habitualmente no final do mês de novembro.

 

Seria certamente em dezembro que faria as suas compras. Prendas, doces da época, alimentos para a ceia e dia de Natal…

 

Tendo em conta o período que vivemos, queremos convidá-lo a alterar esta prática, excecionalmente este ano.

 

E porquê? Porque com toda a certeza haverá uma grande concentração de pessoas a fazer as suas compras no mês de dezembro. Se se juntar a elas, vai estar exposto a um risco adicional de contágio deste coronavírus que tanta gente tem importunado e até desgraçado.

 

Então, como podemos contornar o problema? Antecipando as referidas compras. Mas, para isso, certamente que é necessário ter algum dinheiro extra e o SN é normalmente usado para tal.

 

O Conselho de Administração, sensível à minimização de todos os riscos que possam contribuir para ultrapassar esta pandemia com a menor perturbação, decidiu antecipar para outubro o pagamento do SN.

 

Assim, juntamente com o seu salário de outubro, irá receber o SN a que tem por direito.


Resta-nos deixar-lhe dois apelos muito claros:

 

Queira colaborar com esta ideia e faça todas as suas compras durante o mês de novembro, de preferência na 1.ª semana ou na 1.ª quinzena;

 

Se não pretender (ou não conseguir) seguir esta sensata sugestão, então deve cuidar de manter guardado o dinheiro para o poder utilizar posteriormente, no momento próprio.


Fuja aos ajuntamentos de pessoas. Faça as suas compras nos próximos dias.

 

Beneficiará assim de uma menor exposição ao risco de contágio do coronavírus.

 

Boas compras!!!

 

Grupo de Gestão"

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