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Em casa de Leïla Slimani. Como a escritora franco-marroquina vê o mundo a partir de Lisboa

Desde que ganhou o Prémio Goncourt com 'Canção Doce', bestseller mundial, que a sua literatura não tem parado de crescer. Há três anos começou a contar a história da sua família numa trilogia entre Marrocos e França. 'O País do Outros' passa o colonialismo a pente fino, dramas familiares, a raça ou a mestiçagem, o direto ao aborto e o desejo homossexual reprimido, entram numa equação que leva o leitor a viajar até esses tempos. 'Vejam Como Dançamos', o 2º volume, acaba de ser lançado e é um dos mais belos livros de 2022. Conversa pessoal na casa da escritora em Lisboa, onde passa parte do ano.

Julien Da Costa
Máxima 07 de Dezembro de 2022 às 16:04
Leïla abre a porta de casa agitada. Prepara-se para a conferência que dará dentro de algumas horas na Câmara Municipal de Lisboa à volta da obra de José Saramago*. Um longo vestido preto com pequenas bolas brancas desenha-lhe a silhueta magra. "Estava a maquilhar-me, ainda não acabei", diz. Ao longe ouvem-se vozes de crianças a brincar, os filhos estão de férias da escola. Há barulho na cozinha, amigos vieram visitá-la de Paris, alguém pendura quadros num corredor. A casa está viva.

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