"Calendário alterou-se", diz Castro Almeida em relação aos apoios à restauração
Ministro da Economia diz que prioridades mudaram com as tempestades e admite atraso nos apoios à restauração. Setor pede reforço da componente a fundo perdido.
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As tempestades que atingiram o país vieram baralhar o calendário político e financeiro do Governo — e a restauração ficou para segundo plano. O ministro da Economia, Manuel Castro Almeida, admite que as prioridades mudaram e que o foco está agora na recuperação dos estragos, deixando em suspenso o reforço de apoios ao setor, escreve o ECO, esta quinta-feira. "Toda a prioridade é para tentar recuperar das tempestades. O calendário alterou-se", disse o ministro, sinalizando um travão no pacote anunciado em janeiro.
Em causa está um programa que previa apoios até 60 mil euros por empresa, com uma componente parcialmente a fundo perdido, mas cuja execução continua por concretizar. O setor, através da AHRESP, defende que a situação se agravou entretanto e pede um reforço da ajuda não reembolsável, argumentando que muitas empresas enfrentam dificuldades que não são visíveis nas estatísticas agregadas.
Do outro lado, o governador do Banco de Portugal, Álvaro Santos Pereira, veio pôr em causa a narrativa de crise. Com base em dados do INE, sustenta que o setor tem registado crescimento, ainda que mais moderado, apontando para um aumento do volume de negócios em 2025. Uma leitura que o Governo pode usar como argumento para travar ou limitar novos apoios, num contexto de pressão orçamental e prioridades concorrentes.