Conflito no Médio Oriente irá abrandar crescimento e acelerar a inflação, diz OCDE
A OCDE defendeu a preservação de um sistema de comércio internacional aberto e baseado em regras.
A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) destacou nesta quinta-feira que o conflito no Médio Oriente está a testar a resiliência da economia global e causará uma desaceleração do crescimento mundial, acompanhada de maior inflação. A OCDE defendeu também a preservação de um sistema de comércio internacional aberto e baseado em regras.
"Claramente, a magnitude do impacto negativo sobre o crescimento e a extensão do aumento da inflação dependerão, em última análise, da duração e da intensidade das perturbações", disse o secretário-geral da organização, Mathias Cormann, em conferência de imprensa após o Conselho Ministerial da OCDE, realizado em Paris.
Cormann observou que a instituição, que apresentou na quarta-feira as suas mais recentes perspetivas económicas mundiais - incluindo para Portugal -, estima que haverá um crescimento económico global "significativamente mais fraco" este ano como consequência das tensões geopolíticas e energéticas decorrentes do conflito.
O secretário-geral lembrou que a OCDE desenvolveu dois cenários económicos, um baseado em interrupções temporárias e outro em interrupções prolongadas nas rotas comerciais e energéticas, e observou que o impacto final sobre o crescimento e a inflação dependerá da duração e da intensidade da crise. "Um fim rápido para o conflito seria melhor para as perspetivas de crescimento do que uma situação prolongada", afirmou o australiano.
O representante da OCDE lembrou que, antes do início do conflito, a organização estava a rever em alta as projeções económicas para 2026 e 2027, após um crescimento global de 3,4% em 2025, superior ao esperado.
Entre os fatores que impulsionaram essa melhoria, destacou o forte aumento nos investimentos ligados à inteligência artificial e um nível efetivo de tarifas nos Estados Unidos menor do que o previsto um ano antes.