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DECO : Crédito - Prestação Única

Para quem está a pagar casa, carro e móveis, a consolidação dos créditos permite aliviar o orçamento familiar. Os empréstimos fundem-se num só, baixando o valor da prestação. Mas prepare-se para penalizações por reembolso antecipado, comissões e seguros.

14 de Julho de 2006 às 07:00

Crédito: junte todos os empréstimos num só

As famílias portuguesas recorrem cada vez mais ao crédito. No fim do mês, o peso das prestações da casa, do carro, do televisor e das férias sobrecarrega o orçamento familiar. A isto, junta-se ainda o uso do cartão de crédito. Nalguns casos, a acumulação das dívidas torna-se incomportável, criando situações de sobreendividamento. Mas o cenário pode agravar-se se considerarmos a possível subida das taxas de juro ou a ocorrência de imprevistos, como o desemprego ou a doença de um membro do agregado. A consolidação dos créditos pode ser uma solução para quem tem empréstimos acumulados. Tal como o nome indica, permite juntar num só crédito todos os montantes em dívida. Os empréstimos de curto prazo, como o do carro, são aglutinados num de maior duração, em geral no crédito à habitação. O objectivo é pagar só uma prestação, beneficiando-se, regra geral, de uma taxa de juro mais baixa. Deste modo, obtém-se uma prestação inferior ao conjunto das prestações iniciais. Mas, se a vantagem da consolidação é o ganho de liquidez, o grande inconveniente é o aumento dos juros a pagar..

Opte pelo banco do crédito da casa

- A situação mais simples é quando os créditos estão todos no mesmo banco e é nele que quer consolidar. Neste caso, faça valer-se da posição de cliente e negoceie, por exemplo, uma redução ou até a isenção das comissões por reembolso antecipado dos créditos a consolidar.

- Quando os créditos estão em bancos diferentes, a consolidação deve ser feita, preferencialmente, naquele onde decorre o empréstimo com maior peso. Regra geral, trata- -se do crédito à habitação, que servirá de base ao novo empréstimo. Mas terá de pagar as penalizações por amortização antecipada dos outros empréstimos. Caso o banco não cobre penalizações por reembolso parcial, não amortize o empréstimo na totalidade. Assim, as penalizações só incidirão sobre o montante que deixar por resgastar.

- Outra possibilidade é avançar para a consolidação num crédito totalmente novo e num banco diferente. Se o fizer, terá custos acrescidos com a amortização antecipada de todos os empréstimos iniciais.

- Se tiver crédito à habitação, considere a contratação de um empréstimo em que a hipoteca do imóvel serve de garantia. Caso não o tenha, opte pelo crédito com penhor ou pessoal (ver caixa).

Novo contrato, mais despesas

- Para poder juntar num só crédito todas as suas dívidas, terá, em primeiro lugar, de amortizar antecipadamente os empréstimos iniciais. Em média, a penalização ronda os 2% ou 3%, mas pode atingir os 5%. Nos casos em que haja lugar a um novo contrato de crédito hipotecário, é necessária uma nova escritura.

- Deve também contar com os habituais custos de abertura do processo, de avaliação do imóvel, o imposto de selo e os seguros. Alguns bancos cobram ainda comissões para rever os «spreads».

Vantajoso a curto prazo

- Para quem quer consolidar com o crédito à habitação, há duas opções. Pedir um reforço da hipoteca do empréstimo em curso até ao valor em dívida dos restantes créditos (pelo mesmo prazo do crédito à habitação em curso ou menor) ou contratar um empréstimo novo. Para comparar vantagens e inconvenientes destas possibilidades, simulámos a situação de uma família com crédito à habitação, automóvel e outro para móveis (ver quadros na página anterior).

- Antes de consolidar, as prestações totalizavam 1163,82 euros. Ao reforçar a hipoteca do crédito à habitação, a prestação desce para € 674,76, e no caso de um novo crédito para 648,38 euros. Ambas as soluções parecem, à partida, mais vantajosas por reduzirem o encargo mensal em mais de 40%. Mas a prestação encontrada (€ 674,76 ou € 648,38) terá de ser paga durante 20 anos. No caso do crédito paralelo (do carro e imóveis) ter um prazo inferior ao do da casa, de 10 anos, por exemplo, a prestação seria de € 169,51 durante esse período, mais € 572,90 durante 20 anos.

- Se esta família optasse por não consolidar, pagaria prestações superiores apenas enquanto não terminasse o prazo do crédito automóvel e para móveis. Ou seja, ao fim de 36 meses, a sua dívida limitar-se-ia ao crédito habitação, traduzindo um encargo mensal de 572,90 euros.

- Quem não tem crédito à habitação ou não quer englobá-lo na consolidação, dispõe de três opções: o crédito com penhor, o pessoal ou o hipotecário. O último serve apenas para quem possua um imóvel a dar como garantia. Retomemos o exemplo anterior, mas sem crédito à habitação (ver quadros). Para este cenário, o crédito com penhor é o mais económico, permitindo poupar quase € 100 mensais face à prestação inicial.

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